Sindicato Rural de Rio Verde afastou funcionária que denunciou abusos, aponta investigação

Sindicato Rural de Rio Verde afastou funcionária que denunciou abusos, aponta investigação

Uma das funcionárias do Sindicato Rural de Rio Verde foi afastada do cargo logo após a eclosão de denúncias de abusos sexuais dentro da instituição. A informação foi confirmada pela delegada Fernanda Simão, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), que conduz o caso. Com base nas provas colhidas, o Ministério Público de Goiás denunciou o ex-presidente da entidade, Olávio Teles Fonseca, por crimes sexuais, violência psicológica e coação.

Conforme detalhou a delegada, a investigação identificou até o momento quatro vítimas: duas mulheres e duas adolescentes de 17 anos. Dois dos casos envolvem funcionárias efetivas e os outros dois, menores aprendizes. Além da menor que foi afastada após as denúncias, duas vítimas já não integravam o quadro de funcionários quando a queixa foi formalizada, e uma outra estava afastada por licença médica no encerramento do inquérito policial.

As denúncias, apontam que os abusos ocorriam dentro da sala da presidência, único ambiente do sindicato sem câmeras de segurança. O local possuía isolamento acústico e uma trava eletrônica controlada exclusivamente por Olávio. Segundo os depoimentos, as vítimas eram chamadas ao local durante o expediente sob alegação de tratar de assuntos administrativos, mas eram submetidas a comentários invasivos sobre seus corpos, toques sem consentimento e práticas de cunho sexual.

Com o aumento das suspeitas entre os servidores, Olávio teria negado as acusações e chorado, interrompendo temporariamente os episódios. No entanto, relatos indicam que a perseguição às vítimas se intensificou posteriormente. Funcionárias afirmaram que o ex-presidente se dizia influente, rico e que nunca seria preso. Ele também teria ameaçado de morte quem se voltasse contra ele.

Além de Olávio, o Ministério Público denunciou o diretor de Tecnologia da Informação do sindicato, Miguel Mendonça Cardoso. A investigação aponta que ele procurou vítimas para convencê-las a negar os fatos e a manter silêncio, o que configuraria tentativa de acobertamento dos crimes.

A delegada Fernanda Simão ressaltou que, em casos de violência sexual, é comum que novos relatos surjam com o avanço do processo. Segundo ela, duas das vítimas sofreram abusos por anos. Em relação às adolescentes, houve três episódios com uma e um episódio com a outra. Uma das vítimas obteve medidas protetivas deferidas pela Justiça. As demais já realizam acompanhamento psicológico particular e foram informadas de que podem buscar apoio no setor de psicologia da delegacia, se necessário.

As investigações tiveram início em setembro, após uma denúncia anônima, e resultaram na prisão de Olávio Teles Fonseca em 12 de novembro, na sede do sindicato. Em nota, a entidade informou que o ex-presidente pediu afastamento voluntário e reforçou que “não compactua com práticas que violem princípios éticos ou institucionais”.

A defesa de Olávio afirmou ter recebido a denúncia com “absoluta tranquilidade” e declarou que nenhuma acusação será comprovada ao longo do processo. Os advogados alegam não haver justificativa para a prisão preventiva, sustentando que o cliente tem residência fixa e atividade lícita. Em razão do segredo de justiça, disseram não poder comentar detalhes do caso.

A defesa de Miguel Mendonça Cardoso não foi localizada pela reportagem até o fechamento deste texto. O espaço para manifestação permanece aberto.

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Gessica Vieira

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