Decisão da ANTT sobre faixas de domínio gera reação no agronegócio

Decisão da ANTT sobre faixas de domínio gera reação no agronegócio

Uma nova determinação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) provocou reação de entidades do agronegócio e produtores rurais em diferentes regiões do país. A medida reforça restrições ao uso agrícola das chamadas faixas de domínio, áreas localizadas às margens de rodovias federais concedidas, e estabelece prazo para adequações, incluindo o cercamento desses espaços.

A decisão afeta propriedades que utilizavam essas áreas para atividades agrícolas mediante processos de regularização anteriormente autorizados pela própria agência. Entidades do setor afirmam que a mudança gera insegurança jurídica e pode trazer impactos econômicos para produtores que cultivavam nessas áreas com respaldo de instrumentos como o Contrato de Permissão Especial de Uso (CPEU) e o Projeto de Interesse de Terceiros (PIT).

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O Sistema FAEP, que representa produtores rurais do Paraná, encaminhou ofícios à ANTT, ao Ministério dos Transportes e à bancada federal paranaense pedindo apoio para reverter a medida. Segundo a entidade, muitos agricultores utilizam essas áreas de forma regularizada há anos e a nova orientação interrompe um processo de regularização que vinha sendo desenvolvido em conjunto com concessionárias e sindicatos rurais.

De acordo com representantes do setor, a situação preocupa principalmente pequenos produtores. No Paraná, cerca de 85% das propriedades rurais possuem menos de 50 hectares, e a utilização das faixas de domínio pode representar parcela importante da renda familiar e da viabilidade econômica da atividade agropecuária.

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A ANTT sustenta que as faixas de domínio são áreas públicas destinadas à segurança viária, à manutenção da infraestrutura e a futuras ampliações das rodovias. Por isso, a fiscalização sobre a ocupação desses espaços foi reforçada, com o objetivo de garantir a destinação legal das áreas e a segurança dos usuários das estradas.

O tema ganha relevância porque, nos últimos anos, concessionárias e produtores vinham construindo modelos de regularização considerados compatíveis com a atividade agrícola. Em alguns trechos, milhares de metros quadrados já haviam sido formalizados para uso produtivo sob supervisão técnica e autorização dos órgãos responsáveis.

A discussão agora envolve o equilíbrio entre segurança viária e atividade produtiva. Entidades do agronegócio defendem a abertura de diálogo para buscar alternativas que permitam preservar a produção agrícola sem comprometer a gestão e a segurança das rodovias.

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Gessica Vieira

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