Ruberley Rodrigues expõe desafios do IFG Jataí: orçamento no limite e plano de expansão

Ruberley Rodrigues expõe desafios do IFG Jataí: orçamento no limite e plano de expansão

O diretor do Instituto Federal de Goiás – campus Jataí, Ruberley Rodrigues de Souza, participou do programa PN7 em Pauta e apresentou um panorama detalhado sobre a realidade da instituição, destacando desafios estruturais, limitações orçamentárias e perspectivas de crescimento.

Logo no início da entrevista, o diretor explicou uma dúvida comum entre estudantes: a diferença entre institutos federais e universidades. Segundo ele, enquanto as universidades atuam de forma mais focada no ensino superior, os institutos federais trabalham com a chamada “verticalização do ensino”, oferecendo desde cursos técnicos até graduação, mestrado e doutorado.

“Atendemos desde o aluno do ensino médio até a pós-graduação, o que amplia o acesso à educação e fortalece a formação profissional”, destacou.


Ensino diversificado e desafios em sala

A diversidade de níveis de ensino, no entanto, também representa um desafio. De acordo com Ruberley, os professores precisam adaptar constantemente sua abordagem, já que atuam tanto com adolescentes quanto com adultos.

“É o mesmo professor que dá aula para o ensino técnico e para a graduação. Isso exige uma mudança constante de metodologia e postura”, explicou.


Mudança para o período noturno amplia acesso

Um dos avanços recentes foi a transferência de cursos superiores para o período noturno, estratégia que busca atender estudantes que trabalham durante o dia.

A mudança já apresenta შედეგados positivos, especialmente em cursos como engenharia elétrica, que antes registravam vagas ociosas.

“A gente percebeu que muitos não ingressavam por conta do horário. Com a mudança, a expectativa é aumentar a procura e democratizar o acesso”, afirmou.


Estrutura dividida gera custos e dificuldades

Um dos principais entraves enfrentados pela gestão é a divisão do campus em duas unidades: Flamboyant e Riachuelo. Essa estrutura exige duplicação de serviços e deslocamento constante de alunos e servidores.

Atualmente, estudantes precisam se deslocar entre as unidades até mesmo para aulas de educação física, situação que só foi amenizada com apoio da Prefeitura de Jataí, que disponibilizou transporte.

“Isso gera custo, desgaste e dificulta a rotina acadêmica. Nosso objetivo é concentrar tudo em um único espaço”, explicou o diretor.


Projeto de unificação do campus avança

A principal prioridade estratégica da gestão é a centralização das atividades na unidade Flamboyant. Para isso, está em andamento uma negociação com a Secretaria Estadual de Educação para a transferência da estrutura da unidade Riachuelo.

A proposta prevê que o IFG amplie sua estrutura no novo espaço, enquanto o prédio atual seria destinado à rede estadual.

“Essa mudança vai melhorar a logística, reduzir custos e oferecer mais qualidade para alunos e servidores”, destacou.


Orçamento limitado é o maior desafio

Apesar dos avanços, o diretor foi enfático ao apontar o orçamento como o maior desafio da instituição. Segundo ele, os recursos atuais são insuficientes para atender todas as demandas, especialmente diante de imprevistos.

“O orçamento já é apertado e ainda sofre risco de cortes. Muitas vezes precisamos fazer verdadeiros malabarismos para manter o funcionamento”, afirmou.

Situações emergenciais, como danos causados por fortes chuvas recentes, evidenciam ainda mais a fragilidade financeira. Reparos estruturais podem chegar a centenas de milhares de reais, valor que não está previsto no orçamento.


Dependência de emendas parlamentares

Diante das limitações, a instituição tem recorrido a emendas parlamentares para viabilizar melhorias, como aquisição de equipamentos e construção de espaços esportivos.

Ainda assim, o diretor ressalta que os recursos são insuficientes para atender todas as necessidades, como a modernização de laboratórios de informática, fundamentais para cursos técnicos e de engenharia.


Gestão exige perfil técnico e político

Ruberley também destacou que a função de diretor vai além da gestão administrativa, exigindo habilidade política para articulação com diferentes esferas.

“É um cargo técnico, mas também político. É preciso diálogo com a reitoria, parlamentares e comunidade acadêmica”, pontuou.


Educação plural e sem doutrinação

Sobre possíveis influências ideológicas no ambiente acadêmico, o diretor afirmou que a instituição preza pela pluralidade de ideias, sem direcionamento político.

“Nós não estamos ali para doutrinar ninguém. O objetivo é formar profissionais com senso crítico, capazes de construir suas próprias opiniões”, afirmou.


Legado e futuro do IFG Jataí

Com mais de 30 anos de atuação na instituição, Ruberley destacou que seu maior objetivo como gestor é resolver o problema estrutural do campus, deixando encaminhada a unificação das unidades.

“Se conseguirmos avançar nessa questão, será um grande legado para o IFG Jataí”, concluiu.

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Gessica Vieira

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