Recuperação judicial bate recorde no Brasil e acende alerta para empresas e agronegócio em 2026

Recuperação judicial bate recorde no Brasil e acende alerta para empresas e agronegócio em 2026

O número de empresas que recorreram à recuperação judicial no Brasil atingiu o maior patamar da série histórica, acendendo um sinal de alerta para diversos setores da economia em 2026, especialmente o agronegócio. Dados da Serasa Experian apontam que 2.466 empresas entraram com pedidos de recuperação judicial em 2025, o que representa um crescimento de 13% em relação ao ano anterior.

O avanço é atribuído a uma combinação de fatores que vêm pressionando o caixa das empresas, como juros elevados, crédito mais restrito, aumento do endividamento e dificuldades na renegociação de financiamentos. A expectativa de especialistas é de que esse cenário ainda gere reflexos ao longo de 2026.

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, muitas empresas chegaram a 2025 ainda fragilizadas após um longo período de juros altos, acumulando dívidas com custos financeiros cada vez mais elevados.

Agro lidera pedidos de recuperação judicial

O agronegócio aparece entre os segmentos mais impactados. Levantamento da Serasa mostra que a agropecuária foi responsável por 30,1% dos pedidos de recuperação judicial registrados em 2025, liderando o ranking nacional ao lado do setor de serviços.

Entre os principais fatores que pressionam o setor estão a volatilidade dos preços das commodities, os custos elevados de fertilizantes e defensivos agrícolas, oscilações cambiais e os efeitos climáticos sobre a produção. Soma-se a isso o modelo financeiro do agro, que depende de ciclos longos entre plantio, colheita e comercialização, aumentando a exposição ao endividamento em períodos de crédito caro.

Outro levantamento divulgado em 2026 aponta que os pedidos de recuperação judicial no agronegócio cresceram mais de 56% em 2025, com destaque para estados produtores como Mato Grosso, Goiás e Paraná. Goiás figura entre as unidades da federação com maior volume de solicitações relacionadas ao setor rural.

Recuperação judicial não significa falência

Apesar do crescimento expressivo, especialistas reforçam que a recuperação judicial não é sinônimo de falência. O mecanismo permite que empresas reorganizem suas dívidas, renegociem compromissos financeiros e mantenham suas atividades operacionais enquanto apresentam um plano de recuperação aos credores.

Ainda assim, os indicadores de inadimplência preocupam. Dados da Serasa apontam que o Brasil iniciou 2026 com cerca de 8,7 milhões de empresas negativadas, cenário que pode impulsionar novos pedidos de recuperação judicial nos próximos meses.

Cenário exige atenção em 2026

Para analistas de mercado, o comportamento das recuperações judiciais ao longo de 2026 dependerá principalmente da trajetória dos juros, da oferta de crédito e da capacidade das empresas de recompor suas margens financeiras.

Mesmo com o início de um ciclo de redução da taxa básica de juros, o custo do dinheiro ainda permanece elevado para grande parte do setor produtivo, especialmente para pequenas e médias empresas e produtores rurais que dependem de financiamento para manter suas operações.

O avanço das recuperações judiciais evidencia que o desafio atual vai além da geração de receita, exigindo maior eficiência na gestão financeira em um ambiente econômico que demanda cautela, planejamento e renegociação de passivos.

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Gessica Vieira

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