Queimadas: especialista alerta produtores sobre prevenção, riscos e responsabilidades

Queimadas: especialista alerta produtores sobre prevenção, riscos e responsabilidades
Especialista alerta que a prevenção e o planejamento são fundamentais para reduzir os riscos e prejuízos causados pelas queimadas no campo.

O período de estiagem acende um alerta para os produtores rurais diante do aumento do risco de queimadas. A baixa umidade, a vegetação seca e os ventos favorecem a rápida propagação do fogo e exigem planejamento para evitar prejuízos ambientais, financeiros e à produção.

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Em entrevista ao PN7 em Pauta, a engenheira florestal Richelle Garcia Ducrado destacou que a prevenção deve fazer parte da gestão da propriedade. Segundo ela, uma das principais perguntas que o produtor precisa fazer é se está preparado para agir caso um incêndio comece na propriedade ou avance de uma área vizinha.

“Se a resposta para a maioria dessas perguntas for não, significa que você está muito exposto ao risco”,

alertou a especialista, ao citar a necessidade de aceiros, equipamentos em condições de uso e orientação clara para todas as pessoas que trabalham ou vivem na propriedade.

Aceiros precisam ser planejados

Entre as medidas de prevenção, a especialista destacou a importância dos aceiros, faixas construídas para interromper a continuidade do material combustível e ajudar a conter o avanço do fogo.

No entanto, Richelle ressaltou que a estrutura precisa ser corretamente dimensionada. Um aceiro mal planejado pode não impedir a passagem das chamas e ainda criar uma falsa sensação de segurança para o produtor.

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A engenheira também chamou atenção para o uso do fogo como forma de contenção. Segundo ela, existem situações em que a chamada queima controlada pode ser autorizada, mas isso depende das regras, do período adequado e das condições ambientais.

Área queimada não pode ser modificada sem autorização

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a situação das áreas atingidas pelo fogo. Caso o incêndio venha de outra propriedade, a orientação é registrar a ocorrência e comunicar as autoridades competentes.

A especialista alertou que o fato de uma área de vegetação ter sido atingida por um incêndio não significa que ela possa ser limpa ou utilizada para outra atividade sem autorização.

“Não entrar numa área só porque pegou fogo. Aquela área não está licenciada”, afirmou.

A mesma regra vale para áreas de preservação e reserva legal. Mesmo em casos de recuperação, o procedimento deve seguir orientação e autorização dos órgãos responsáveis, inclusive na definição das espécies que poderão ser utilizadas.

Queimadas também podem afetar a produtividade

Além dos danos imediatos, o fogo pode causar impactos na qualidade do solo e, consequentemente, na produtividade da propriedade.

Segundo a engenheira, a destruição da palhada deixa o solo mais exposto às altas temperaturas e a processos erosivos, principalmente quando as chuvas retornam. A perda dessa cobertura também pode aumentar a necessidade de correção do solo.

O impacto pode atingir áreas de pastagem e culturas agrícolas, como soja e milho, reforçando a importância da prevenção durante o período de estiagem.

Responsabilização pode ocorrer em caso de negligência

A especialista também explicou que, se for comprovado que um incêndio começou em determinada propriedade e avançou para outras áreas por negligência ou falhas na gestão, o responsável poderá sofrer consequências.

De acordo com ela, a responsabilização pode ocorrer nas esferas penal, cível e ambiental.

A orientação, diante de um incêndio de grandes proporções, é avaliar primeiro a segurança das pessoas. Se não houver condições seguras para o combate, a recomendação é não colocar vidas em risco.

“O fogo passa e a gente reconstrói a propriedade. Vidas a gente não recupera”, destacou.

A principal recomendação é que o produtor mantenha a propriedade preparada, faça a manutenção preventiva, tenha um plano de ação para situações de emergência e busque orientação técnica para a adoção das medidas adequadas de prevenção e controle do fogo.

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Isabelle Sousa de Assis

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