IA mapeia castanheiras e vira guia para extrativistas na floresta

IA mapeia castanheiras e vira guia para extrativistas na floresta

A tecnologia está ganhando espaço também dentro da floresta. No sul do Amazonas, extrativistas passaram a utilizar um mapa digital capaz de indicar a localização de milhares de castanheiras e auxiliar no planejamento das rotas de coleta.

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A ferramenta foi desenvolvida a partir do Netflora, tecnologia da Embrapa Acre que combina imagens captadas por drones e algoritmos de inteligência artificial para identificar castanheiras e outras espécies florestais. As informações são transformadas em um mapa que pode ser consultado pelo celular.

O sistema foi implantado para 18 grupos de extrativistas da Fazenda Nova Fronteira, em Lábrea (AM), próxima à divisa com o Acre. Uma das principais características é a possibilidade de acessar o mapa mesmo em locais sem conexão com a internet, realidade comum em áreas remotas da Amazônia.

Cada árvore ganha uma localização

Com o novo sistema, cada castanheira identificada recebe uma posição geográfica própria. Na prática, o aplicativo funciona como um guia de navegação dentro do castanhal.

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Os coletores conseguem visualizar onde estão as árvores já conhecidas e também encontrar exemplares que antes poderiam passar despercebidos durante os deslocamentos pela floresta.

A tecnologia ainda permite observar os limites das trilhas utilizadas pelos diferentes grupos. Com isso, os extrativistas conseguem organizar melhor os percursos e reduzir deslocamentos desnecessários.

Mais eficiência durante a safra

Um dos objetivos do mapeamento é ajudar os trabalhadores a planejar a coleta com antecedência.

Ao identificar novas castanheiras próximas das rotas tradicionais, os grupos podem reorganizar os caminhos e ampliar a área explorada sem depender apenas do conhecimento visual obtido durante as caminhadas.

Segundo a Embrapa, essa estratégia pode ser especialmente útil em períodos de menor produção. Com mais árvores conhecidas e mapeadas, os coletores podem buscar alternativas para compensar eventuais quedas na oferta de frutos.

O levantamento também amplia a visão que os extrativistas têm da própria área. O mapeamento considera regiões além da faixa normalmente observada durante o deslocamento pelas trilhas, permitindo encontrar árvores que ficam fora do campo de visão habitual.

Tecnologia não substitui o conhecimento tradicional

Apesar do uso de drones e inteligência artificial, a tecnologia não elimina a participação dos extrativistas.

O conhecimento adquirido ao longo de anos de trabalho na floresta continua sendo fundamental para definir as melhores estratégias de coleta. O aplicativo funciona como uma ferramenta adicional para organizar essas informações e facilitar a tomada de decisões.

O projeto também incluiu capacitações relacionadas às boas práticas de produção e levou em consideração as características socioculturais dos grupos envolvidos.

Floresta ganha mapa digital

A iniciativa faz parte de um projeto voltado à adoção de práticas sustentáveis na produção de castanha-da-amazônia e está vinculada a uma área de conservação florestal de aproximadamente 52 mil hectares, relacionada também à geração de créditos de carbono.

A tecnologia desenvolvida pela Embrapa pode ainda ser replicada em outras comunidades. O uso de drones para localizar espécies florestais permite criar inventários digitais que podem apoiar diferentes atividades de manejo e extrativismo.

Outras comunidades extrativistas já utilizam a plataforma para mapear seus castanhais, ampliando a possibilidade de aplicação da ferramenta em diferentes regiões da Amazônia.

Tecnologia aproxima produção e sustentabilidade

O avanço mostra como ferramentas digitais podem ser utilizadas não apenas em grandes propriedades agrícolas, mas também em atividades tradicionais realizadas dentro da floresta.

Ao facilitar a localização das árvores, organizar rotas e reduzir deslocamentos, o sistema pode contribuir para aumentar a eficiência da coleta sem abandonar as práticas tradicionais dos extrativistas.

A iniciativa também reforça uma tendência de uso da tecnologia para valorizar produtos da sociobiodiversidade brasileira e melhorar a gestão dos recursos naturais.

No campo e na floresta, drones, geolocalização e inteligência artificial começam a assumir uma nova função: transformar conhecimento sobre o território em informação prática para quem depende diretamente dele para produzir e gerar renda.

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Gessica Vieira

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