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Produzir mais nem sempre significa lucrar mais no agronegócio, alerta especialista em gestão de fazendas

Em entrevista ao PN7 em Pauta, a consultora Laura Assis de Freitas explica por que alta produtividade não garante rentabilidade e defende a profissionalização da gestão financeira nas propriedades rurais

Durante décadas, o aumento da produtividade foi considerado um dos principais indicadores de sucesso no agronegócio. No entanto, o cenário atual do setor mostra que colher mais nem sempre significa ganhar mais. O aumento dos custos de produção, a volatilidade dos preços das commodities, as despesas financeiras e os desafios impostos pelo clima fazem com que propriedades altamente produtivas também possam enfrentar dificuldades para fechar as contas no fim da safra.

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Foi a partir dessa realidade que a consultora em Gestão Financeira de Fazendas, Laura Assis de Freitas, participou do programa PN7 em Pauta para discutir os desafios da administração das propriedades rurais e explicar por que o controle financeiro se tornou um dos principais fatores para garantir rentabilidade e continuidade no campo.

Laura Assis de Freitas, consultora em Gestão Financeira de Fazendas, durante entrevista ao programa PN7 em Pauta sobre rentabilidade e gestão no agronegócio.
A consultora em Gestão Financeira de Fazendas, Laura Assis de Freitas, participou do PN7 em Pauta e explicou por que controlar custos é fundamental para aumentar a rentabilidade das propriedades rurais: Vânia Santana

Alta produtividade não garante resultado financeiro

Segundo Laura, um dos maiores erros cometidos por produtores rurais é avaliar o desempenho da safra apenas pela quantidade produzida. Para ela, o verdadeiro indicador de sucesso está no lucro obtido depois que todos os custos da operação são descontados.

A consultora explica que uma fazenda pode registrar produtividade acima da média da região e, ainda assim, apresentar baixa rentabilidade caso os custos de produção, despesas administrativas, financiamentos e investimentos consumam grande parte da receita obtida com a comercialização dos grãos.

“Produzir bem já não garante lucro. O produtor precisa saber exatamente quanto gastou para produzir e quanto realmente sobrou no final da safra.”

Na avaliação da especialista, administrar uma propriedade rural exige acompanhar indicadores financeiros com a mesma atenção dedicada às lavouras.

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Conhecer os custos é tão importante quanto aumentar a produção

A gestão financeira começa pelo conhecimento detalhado dos números da propriedade. Custos operacionais, despesas administrativas, investimentos, retiradas dos proprietários e fluxo de caixa precisam ser monitorados continuamente para que o produtor saiba quanto custa produzir cada saca e qual margem realmente está sendo obtida.

Laura destacou que muitos produtores concentram esforços em aumentar a produtividade, mas deixam de acompanhar indicadores que poderiam revelar desperdícios, despesas excessivas e oportunidades para melhorar a rentabilidade do negócio.

Segundo ela, apenas com informações organizadas é possível tomar decisões seguras sobre aquisição de máquinas, expansão da área cultivada, contratação de financiamentos ou renegociação de dívidas.

Gestão baseada em dados reduz riscos no campo

O agronegócio é uma atividade sujeita a fatores que escapam ao controle do produtor, como clima, câmbio e oscilações do mercado internacional. Justamente por isso, a consultora defende que aquilo que acontece “da porteira para dentro” deve ser administrado com rigor.

Ela explica que registrar receitas, despesas e investimentos permite comparar safras, identificar gargalos financeiros e avaliar se determinadas estratégias realmente geraram retorno econômico.

“Aquilo que eu não mensuro, eu não consigo melhorar.”

Esse princípio é amplamente adotado na gestão empresarial e ganha cada vez mais espaço no agronegócio, especialmente em propriedades que buscam aumentar a competitividade em um mercado de margens cada vez mais estreitas.

Planejamento financeiro fortalece a tomada de decisão

Outro ponto destacado por Laura durante a entrevista foi a importância do planejamento financeiro antes mesmo do início da safra.

Segundo ela, conhecer antecipadamente o custo de produção e definir o preço mínimo necessário para garantir lucro permite ao produtor aproveitar oportunidades de comercialização, reduzir riscos e proteger parte da produção contra oscilações do mercado.

Essa estratégia oferece maior previsibilidade ao fluxo de caixa da fazenda e contribui para decisões mais assertivas ao longo do ciclo produtivo.

Fazenda deve ser administrada como empresa

Para a consultora, a principal mudança que precisa ocorrer no campo é de mentalidade. Ela afirma que o produtor rural administra uma empresa, ainda que muitas vezes não se enxergue dessa forma.

Além de lidar com altos investimentos e riscos constantes, as propriedades rurais movimentam recursos significativos, empregam pessoas e dependem de planejamento para permanecer sustentáveis ao longo dos anos.

Nesse contexto, a gestão financeira deixa de ser apenas uma ferramenta administrativa e passa a integrar a estratégia do negócio.

O futuro do agronegócio passa pela gestão

A entrevista concedida por Laura Assis de Freitas ao PN7 em Pauta reforça uma transformação que vem ganhando espaço no campo: produzir bem continua sendo essencial, mas já não é suficiente para garantir resultados positivos.

Em um ambiente marcado por custos elevados, mudanças econômicas e crescente complexidade na administração das propriedades, controlar despesas, planejar investimentos e tomar decisões baseadas em dados tornou-se um diferencial competitivo para produtores que desejam crescer de forma sustentável.

Sobre o autor

CEO do <em>Portal Panorama</em> e diretor do <em>PodCast #CaféComEla</em>. Formado em Comunicação Institucional, atua na área de jornalismo e mídia digital, sempre buscando informar com credibilidade e dinamismo.

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