Pesquisadora da Embrapa entra na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026
A pesquisadora brasileira Mariangela Hungria, da Embrapa, foi incluída na lista TIME100 2026, divulgada na última quarta-feira (15) pela Time. A seleção anual reúne as 100 pessoas mais influentes do mundo, destacando nomes que se sobressaem por impacto, inovação e conquistas em diversas áreas.
Mariangela integra a categoria Pioneiros, destinada a profissionais que redefinem paradigmas em seus campos de atuação. A presença da pesquisadora reforça o papel da ciência brasileira no cenário internacional, especialmente em temas ligados à sustentabilidade e à produção de alimentos.
Além dela, outros brasileiros aparecem na lista deste ano, como o ator Wagner Moura, na categoria Ícones, e o pesquisador Luciano Moreira, reconhecido por suas contribuições científicas.
Inovação na agricultura sustentável
Agrônoma e microbiologista, Mariangela desenvolve, há décadas, pesquisas voltadas ao uso de microrganismos do solo que permitem às plantas fixar o nitrogênio do ar de forma natural. Atualmente, cerca de 85% da soja cultivada no Brasil utiliza esses microrganismos em substituição a fertilizantes sintéticos.
As tecnologias desenvolvidas têm impacto global e proporcionam benefícios econômicos e ambientais. Estima-se que agricultores brasileiros economizem cerca de US$ 25 bilhões por ano, além de evitar a emissão de aproximadamente 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
Em 2014, a pesquisadora lançou a tecnologia de coinoculação da soja, combinando as bactérias Bradyrhizobium e Azospirillum brasilense. A técnica promove ganhos significativos no desenvolvimento vegetal e na produtividade, sendo atualmente adotada em cerca de 35% da área cultivada do grão.
Os avanços também se estendem a outras culturas. No milho, por exemplo, o uso de biológicos pode reduzir em até 25% a aplicação de produtos químicos. As soluções desenvolvidas pela equipe da cientista já foram adaptadas para culturas como feijão, trigo, arroz, cevada e pastagens.
Trajetória acadêmica e profissional
Nascida em 6 de fevereiro de 1958, em São Paulo, e criada em Itapetinga (SP), Mariangela Hungria é engenheira agrônoma formada pela Esalq/USP. Possui mestrado em Solos e Nutrição de Plantas e doutorado em Ciência do Solo pela UFRRJ, além de três pós-doutorados realizados na Cornell University, na University of California-Davis e na Universidade de Sevilla.
A pesquisadora ingressou na Embrapa em 1982, inicialmente na unidade de Agrobiologia, em Seropédica (RJ), e desde 1991 atua na Embrapa Soja, em Londrina (PR). Ao longo de mais de 40 anos de carreira, acumulou mais de 500 publicações científicas, participou do desenvolvimento de mais de 30 tecnologias e orientou mais de 200 estudantes.
Mariangela reconhece a influência da cientista Johanna Döbereiner como fundamental em sua trajetória profissional.
Reconhecimento internacional
A inclusão na TIME100 ocorre após uma sequência de premiações importantes. Em 2025, Mariangela foi laureada com o World Food Prize, considerado o Nobel da Agricultura, além de figurar na lista Time100 Climate. Também recebeu o título de Eminente Engenheira do Ano 2025 e a comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico.
Desde 2020, está entre os 100 mil cientistas mais influentes do mundo, segundo estudo da Universidade de Stanford. Em rankings recentes, alcançou a primeira colocação brasileira em áreas como Fitotecnia, Agronomia e Microbiologia, além de integrar, em 2026, uma lista da Forbes que destaca lideranças globais do agronegócio.
Orgulho coletivo
Ao comentar o reconhecimento, Mariangela destacou o caráter coletivo da conquista. Segundo ela, o resultado reflete o trabalho desenvolvido na Embrapa, especialmente na área de insumos biológicos.
A pesquisadora afirmou que o reconhecimento evidencia uma mudança global na forma de produzir alimentos, com maior valorização de práticas sustentáveis. De acordo com ela, o avanço dos biológicos contribui para a saúde do solo e das pessoas, alinhando-se ao conceito de saúde única.
O destaque internacional consolida a relevância da ciência brasileira no desenvolvimento de soluções inovadoras para os desafios da produção agrícola mundial.

