Excesso de café pode afetar a saúde dos ossos em mulheres idosas

Excesso de café pode afetar a saúde dos ossos em mulheres idosas

O consumo excessivo de café pode estar relacionado a alterações na densidade mineral dos ossos de mulheres mais velhas. A conclusão vem de um estudo publicado na revista científica Nutrients, que acompanhou milhares de mulheres durante aproximadamente dez anos.

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A pesquisa analisou dados de 9.704 mulheres com 65 anos ou mais que participaram do Study of Osteoporotic Fractures. Ao longo do acompanhamento, os pesquisadores avaliaram o consumo de café e chá e compararam essas informações com medições de densidade mineral óssea.

De forma geral, o estudo não encontrou uma associação significativa entre o consumo de café e a densidade óssea do colo do fêmur ou do quadril. No entanto, uma análise mais detalhada apontou um possível efeito negativo entre aquelas que consumiam mais de cinco xícaras de café por dia.

O que os pesquisadores observaram

A densidade mineral óssea é um dos principais indicadores utilizados para avaliar a resistência dos ossos. Com o envelhecimento, especialmente após a menopausa, a perda de massa óssea pode aumentar e contribuir para o desenvolvimento da osteoporose.

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No estudo, os pesquisadores utilizaram exames de densitometria óssea realizados em diferentes momentos do acompanhamento. A análise também levou em consideração fatores como atividade física, doenças, características demográficas e uso de medicamentos.

Os resultados sugeriram que o consumo muito elevado de café pode estar associado a uma menor densidade mineral óssea. Porém, os próprios dados mostram que essa relação não aparece de maneira uniforme em todos os níveis de consumo.

Café não precisa ser eliminado da rotina

Apesar do alerta, os resultados não significam que mulheres idosas devam abandonar o café.

Isso porque o estudo não demonstrou que a bebida seja, por si só, responsável pela perda de massa óssea. A pesquisa identificou uma associação em determinados níveis de consumo, mas outros fatores também podem influenciar a saúde dos ossos.

Além disso, pesquisas anteriores chegaram a conclusões diferentes. Um estudo realizado com mais de 4 mil mulheres na Coreia do Sul, por exemplo, encontrou associação entre consumo moderado de café e melhores indicadores de saúde óssea.

Outro levantamento envolvendo mulheres na pós-menopausa também não encontrou relação significativa entre a quantidade habitual de cafeína e a densidade mineral óssea.

Por isso, o conjunto de evidências ainda não permite afirmar que o café cause enfraquecimento dos ossos.

Atenção ao consumo elevado

O principal ponto de atenção está no excesso. No estudo mais recente, a possível associação negativa apareceu especialmente entre mulheres que consumiam mais de cinco xícaras diariamente.

Além da quantidade de café, a alimentação como um todo tem papel importante na manutenção da saúde óssea. Ingestão adequada de cálcio e vitamina D, atividade física e acompanhamento médico podem fazer parte da prevenção da perda de massa óssea.

Para pessoas que já apresentam osteopenia, osteoporose ou histórico de fraturas, mudanças importantes no consumo de cafeína devem ser discutidas com um profissional de saúde.

O que fica para quem gosta de café

O café continua fazendo parte da rotina de milhões de pessoas e os estudos sobre seus efeitos no organismo apresentam resultados variados.

Neste caso, o alerta não está necessariamente na bebida consumida de forma moderada, mas no consumo elevado e frequente, principalmente entre mulheres mais velhas.

Dessa forma, o estudo reforça a importância de observar a quantidade consumida e manter uma rotina que favoreça a saúde óssea, sem transformar uma associação científica em uma proibição generalizada.

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Gessica Vieira

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