No programa de estreia do Pn7 em Pauta, juíza afirma: ‘Medida protetiva salva vidas’ e defende prevenção nas escolas
A estreia do Pn7 em Pauta, jornalístico ao vivo do Portal Panorama, trouxe ao centro do debate um dos temas mais urgentes da sociedade brasileira: a violência contra a mulher. A entrevistada foi a juíza de Direito Sabrina Rampazzo, com atuação no Juizado de Violência Doméstica, que defendeu a eficácia da Lei Maria da Penha, reforçou a importância das medidas protetivas e alertou para a necessidade de políticas públicas de prevenção.
Logo no início da entrevista, a magistrada destacou que o Brasil possui uma das legislações mais avançadas do mundo no enfrentamento à violência doméstica.
“Nós temos uma das três leis mais avançadas do mundo. Instrumento nós temos. O que falta é colocá-la plenamente em prática, principalmente no que diz respeito às políticas públicas de prevenção.”
Lei forte, mas prevenção ainda insuficiente
Segundo a juíza, embora haja endurecimento penal — como a Lei do Feminicídio e o aumento das penas para descumprimento de medida protetiva — o país ainda precisa avançar na prevenção.
Ela citou dados de Goiás: em 2025, o Estado registrou 60 feminicídios, número superior ao de 2024. Entre as vítimas, apenas sete tinham medidas protetivas ativas.
O dado mais impactante apresentado durante a entrevista foi:
“70% das mulheres que foram vítimas de feminicídio nunca haviam procurado ajuda.”
Para a magistrada, isso demonstra que o medo ainda é o principal aliado do agressor.
Violência não é só agressão física
Um dos pontos centrais da entrevista foi o esclarecimento sobre os tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha. A juíza ressaltou que muitas mulheres não reconhecem que estão em situação de violência porque associam o problema exclusivamente à agressão física.
A legislação prevê cinco tipos:
-
Física
-
Psicológica
-
Moral
-
Sexual
-
Patrimonial
Ela enfatizou que frases como “você não é nada sem mim” ou o controle financeiro como forma de dominação configuram violência — mesmo que não estejam tipificadas como crime específico no Código Penal.
“A violência psicológica é como rachaduras numa casa. Ninguém vê, mas ela compromete toda a estrutura.”
Medida protetiva funciona
Durante a conversa, foi abordado o mito de que medida protetiva “é só papel”. A juíza foi categórica ao afirmar que isso não corresponde à realidade.
Entre as ferramentas disponíveis estão:
-
Afastamento imediato do agressor
-
Proibição de contato por qualquer meio
-
Retirada de arma de fogo
-
Regulamentação de pensão
-
Afastamento da vítima do trabalho, sem perda do vínculo
-
Monitoramento eletrônico com tornozeleira
-
Botão do pânico
-
Prisão em flagrante por descumprimento
Ela explicou que o descumprimento de medida protetiva passou a ter pena de reclusão, podendo chegar a cinco anos, e não admite fiança na delegacia.
“O descumprimento não é tolerado. A lei foi endurecida porque o legislador deixou claro: medida protetiva é para ser cumprida.”
Denúncias falsas são mito, afirma juíza
Questionada sobre a existência de denúncias falsas, a magistrada classificou o argumento como estratégia comum de defesa do agressor.
Ela citou estudo realizado na Espanha que aponta índice de 0,04% de denúncias falsas, percentual considerado irrelevante diante do cenário de violência.
“Dizer que a mulher denuncia por hobby não encontra respaldo na realidade.”
Além disso, lembrou que já existe o crime de denunciação caluniosa previsto no Código Penal, tornando desnecessária a criação de legislação específica para punir mulheres que denunciam.
Como pedir ajuda
A juíza esclareceu que a mulher não precisa apresentar provas prévias para solicitar proteção. Basta sua declaração.
O pedido pode ser feito:
-
Em qualquer delegacia
-
Diretamente no fórum
-
Por meio de solicitação de medida protetiva de urgência
A análise judicial deve ocorrer em até 24 horas.
Jataí tem estrutura acima da média, mas ainda precisa avançar
Ao avaliar o cenário local, a magistrada afirmou que Jataí possui uma rede estruturada, com integração entre Judiciário, forças de segurança, hospital, CRAS, CREAS e Centro de Referência da Mulher.
Apesar disso, defendeu que o próximo passo é ampliar a prevenção, especialmente nas escolas e no ambiente de trabalho.
“Não basta dizer ‘mulher, denuncie’. Precisamos falar com os homens e educar as próximas gerações.”
Compromisso com a causa
Encerrando a entrevista, Sabrina Rampazzo afirmou que atuar na área exige mais do que conhecimento jurídico — envolve compreensão sociológica e cultural.
“Romper barreiras culturais não é simples. Mas dar voz às mulheres silenciadas é algo que me motiva.”
A participação marcou a estreia do Pn7 em Pauta, reforçando o compromisso do programa com temas de interesse público e impacto social.
Share this content:

