Não é cantada, é agressão: Reflexão para o Dia Internacional das Mulheres

Não é cantada, é agressão: Reflexão para o Dia Internacional das Mulheres

6 de março de 2014 0 Por Rosana de Carvalho

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fiufiu3-1A sociedade atual, muitas vezes enxerga a mulher como mero objeto, seja de satisfação, desejo, cobiça ou puramente sexual e viola o próprio sentimento de respeito que deveria existir entre todos, homens e mulheres, sem nenhuma diferença. O homem é visto na nossa sociedade como o “cara”, termo usado em qualquer contexto, “o cara da loja”, “o cara que faz conserto”, “o cara que fez isso”, enfim, sempre carregamos esse cara como sinônimo de qualquer pessoa, menos aquela do sexo feminino, que ainda está inferiorizada na sociedade e não consegue ser sujeito dos seus próprios direitos, apenas um objeto, até mesmo uma coisa. Felizmente, em alguns aspectos já evoluímos bastante, e a mulher consegue ter visibilidade e credibilidade que merece deixando velhos preconceitos no passado. Ocupamos cargos altos, somos reconhecidas, respeitadas e ouvidas, ou seja, temos voz ativa e com isso conseguimos, de forma totalmente justificada, fazer do nosso corpo a própria expressão de liberdade.

Entretanto, este mesmo corpo ainda é visto, dentro da visão machista como alvo sexual, ou apenas objeto sexual, que não possui opinião ou vontade própria. Um exemplo disso são as cantadas que recebemos diariamente quando passamos numa construção, bar ou qualquer outro local em que possa existir essa possibilidade, e infelizmente a justificativa para tal fato se deve ao tipo de roupa, sapato, cabelo, corpo, enfim, tudo o que a mulher tem liberdade em fazer consigo mesma torna-se alvo de brincadeiras e frases de mau gosto e que a desrespeitam. Muitos homens pensam que se trata apenas de um elogio, mas elogios são palavras sinceras que não precisam ter conotação sexual, e lá no fundo, sabemos que não se trata disso, é apenas mais uma forma machista de tentar demonstrar superioridade em relação ao outro sexo e que envergonham a mulher. É um hábito que não pode ser justificado pelas vestimentas, como por exemplo, só porque a mulher está com decote ou saia curta, merece levar cantada. Para piorar, não é difícil encontrar sujeitos, que são pregadores dos bons hábitos, educação e moralismo, mas são tão hipócritas, que comentam coisas do tipo como é difícil conversar com uma mulher de peitos grandes que vi na rua, sim, são estes os termos utilizados, pois os peitos me desconcentravam! É uma falta de respeito e com certeza de educação.

Muitos homens pensam que a mulher está mentindo quando fala que não gosta de cantadas, porque acham que a cantada é uma forma de valorizá-la e na verdade, é uma forma bastante consistente de provocar medo na mulher. O motivo? Quando recebemos uma cantada desrespeitosa, sofremos uma violação psicológica, pois é um tipo de invasão que a mulher sofre, talvez até de forma inconsciente, mas que pode produzir efeitos negativos na vida dela.

Com certeza, a pior violação que a mulher pode sofrer em relação ao seu corpo é o estupro, porque é um crime tipicamente machista, que produz efeitos devastadores tanto psicológicos quanto físicos e deixam marcas para sempre. É um crime bárbaro que reduz a mulher a um objeto de satisfação instantânea e nada mais, como foi o caso aqui em Jataí de uma senhora de 59 anos que faleceu após ser estuprada e queimada pelo próprio filho. Por isso, agora em que se aproxima o Dia Internacional da Mulher, nós, mulheres, gostaríamos de pedir mais respeito por nosso corpo e pela liberdade que conquistamos. Que cesse qualquer tipo de violência e que possamos andar nas ruas com mais tranquilidade e menos medo, afinal o corpo da mulher só pertence a ela mesma e por isso não interessa a mais ninguém.

Rosana de Carvalho – Site PaNoRaMa