“Momento é de cautela”: Hammurabi Volski aponta crise no setor de máquinas agrícolas e mudança nos investimentos

“Momento é de cautela”: Hammurabi Volski aponta crise no setor de máquinas agrícolas e mudança nos investimentos

O programa PN7 em Pauta desta terça-feira (18) trouxe uma análise detalhada sobre o cenário econômico do agronegócio brasileiro com a participação de Hammurabi Volski, gerente de marketing da Horsch no Brasil. Diretamente de Curitiba, o especialista abordou os desafios enfrentados pelo setor de máquinas e os reflexos no investimento do produtor rural.

A entrevista foi conduzida pelo apresentador Hammurabi, que direcionou o debate para o impacto dos juros, acesso ao crédito, inovação tecnológica e perspectivas futuras do agro.


Queda no mercado e momento de cautela

Logo no início da entrevista, Hammurabi Volski destacou que o setor de máquinas agrícolas funciona como um verdadeiro “termômetro” da economia do agro. Segundo ele, após um forte crescimento durante a pandemia, o mercado agora enfrenta uma retração significativa.

De acordo com o executivo, houve uma queda de aproximadamente 50% no volume de mercado nos últimos anos, reflexo direto do período de expansão acelerada anterior.

Apesar disso, a tendência atual não é de recuperação imediata, mas sim de estabilização.

“O momento é de cautela”, afirmou.


Juros altos e incertezas travam investimentos

Um dos principais fatores que impactam o setor, segundo o especialista, é o alto custo do crédito. Com a taxa Selic em patamares elevados, produtores têm adotado uma postura mais conservadora na hora de investir.

Além disso, incertezas políticas e econômicas também contribuem para a demora na tomada de decisão.

Mesmo assim, Volski ressalta que o produtor brasileiro entende a necessidade de investir para manter a produtividade, ainda que com mais planejamento e análise.


Crédito privado ganha espaço no agro

Diante das dificuldades no acesso ao crédito tradicional, o executivo destacou uma mudança importante no setor: a migração para financiamentos privados.

Segundo ele, bancos privados, cooperativas e até instituições internacionais têm ampliado sua atuação no financiamento agrícola, oferecendo alternativas como crédito em moeda estrangeira, muitas vezes com taxas mais competitivas.

Ainda assim, gargalos persistem, como:

  • burocracia

  • exigência de garantias

  • demora na liberação de recursos


Produção nacional fortalece competitividade

Ao falar sobre a estratégia da Horsch, Hammurabi Volski destacou a importância da produção local como forma de reduzir custos e driblar a variação cambial.

Atualmente, a empresa fabrica a maior parte de seus equipamentos no Brasil, o que permite maior competitividade e acesso a linhas de financiamento nacionais.

Além disso, a proximidade com o produtor facilita a oferta de serviços, peças e suporte técnico.


Tecnologia avança, mas mantém presença humana

Sobre o futuro das máquinas agrícolas, o executivo foi enfático: a automação é inevitável, mas não eliminará o papel do operador.

Segundo ele, o avanço tecnológico deve trazer:

  • mais precisão

  • maior eficiência

  • mais segurança

No entanto, a presença humana continuará sendo essencial, especialmente no controle e na tomada de decisões.


Brasil na vanguarda do agro mundial

Durante a entrevista, Volski destacou que o Brasil ocupa hoje uma posição de destaque global em tecnologia agrícola.

Ele citou avanços como:

  • plantio direto

  • uso de biológicos

  • adaptação às condições tropicais

Segundo o executivo, o país não apenas acompanha, mas em muitos casos lidera a inovação no setor.


Pequeno produtor ainda tem espaço no mercado

Apesar do avanço tecnológico e dos custos elevados, Hammurabi Volski avalia que a tecnologia está cada vez mais acessível para produtores de diferentes portes.

Ele reforçou que eficiência e profissionalização são fatores mais determinantes do que o tamanho da propriedade.


Perspectiva de recuperação a partir de 2027

O cenário atual, marcado por preços baixos de commodities e incertezas, deve persistir no curto prazo. No entanto, a expectativa do setor é de melhora gradual a partir de 2027 ou 2028.

Até lá, a recomendação é clara: planejamento, controle de custos e investimentos estratégicos.

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Gessica Vieira

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