Consumo de ovos é associado a menor incidência de Alzheimer
Será que comer ovos com frequência pode ter relação com a saúde do cérebro?
O consumo regular de ovos apareceu associado a uma menor incidência de Alzheimer em determinados grupos de adultos mais velhos. Mas é importante destacar que essa relação não significa que o alimento seja capaz de prevenir a doença.
Em um acompanhamento com quase 40 mil adultos com 65 anos ou mais, durante uma média de 15,3 anos, a frequência de consumo de ovos foi comparada aos diagnósticos posteriores de Alzheimer.
Entre as pessoas que consumiam ovos de uma a três vezes por mês, a redução associada foi de aproximadamente 17%. Para quem consumia de duas a quatro vezes por semana, ficou em torno de 20%. Já entre aqueles que relataram consumir ovos pelo menos cinco vezes por semana, a diferença chegou a 27%.
O alimento também possui nutrientes importantes, como colina, vitamina B12, proteínas, luteína e zeaxantina. A colina, por exemplo, participa da produção de neurotransmissores e está relacionada ao funcionamento do sistema nervoso.
Outro acompanhamento, realizado com 1.024 adultos mais velhos durante uma média de 6,7 anos, encontrou uma taxa de diagnóstico de Alzheimer 47% menor entre os participantes que consumiam pelo menos um ovo por semana, em comparação com aqueles que raramente consumiam o alimento.
Mas os resultados precisam ser interpretados com cautela.
Os dados mostram uma associação, e não uma relação de causa e efeito. Pessoas que consomem ovos regularmente também podem apresentar outros hábitos que influenciam a saúde, como alimentação, atividade física, qualidade do sono e cuidados médicos.
Por isso, não é possível afirmar que comer determinada quantidade de ovos impeça o desenvolvimento do Alzheimer.
A alimentação equilibrada envolve diferentes grupos de alimentos. Peixes, feijões e outras leguminosas, castanhas, frutas, verduras e cereais integrais também fornecem nutrientes importantes e podem fazer parte de uma rotina voltada à saúde.
Além da alimentação, atividade física, sono adequado e controle de fatores de risco também fazem parte dos cuidados ao longo da vida.
A conclusão, portanto, não é que ovo previne Alzheimer. O que os resultados mostram é uma associação entre o consumo regular do alimento e uma menor incidência da doença em determinados grupos de adultos mais velhos.
A relação ainda precisa ser melhor compreendida para saber se o ovo tem participação direta nesse resultado ou se ele está relacionado a um conjunto maior de hábitos.


