Segundo a especialista, apesar do prognóstico "pessimista" para os fãs do tempo mais frio, tais previsões dependem de diversos fatores.

Em meio a frequentes ondas de calor, que ocorrem em vários estados do país e geram até mudanças significativas no tempo de algumas regiões, surge a impressão de que o inverno de 2024 será também mais quente que o habitual.

No Sudoeste de Goiás, por exemplo, considerada a zona mais fria do estado, termômetros marcam temperaturas até 5º C acima da média no outono. Assim, a sensação é de que os casacos serão pouco usados ao longo da próxima estação – cujo calendário começa no dia 20 de junho, findando em 22 de setembro.

Em entrevista, a coordenadora do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Elizabete Alves, deu um prognóstico de como serão os próximos meses em Goiás.

“Para algumas regiões, as temperaturas já deveriam estar mais frias. Provavelmente, no final de maio, deve amenizar ainda mais essa temperatura, mas não deve baixar muito. Neste ano teremos o outono (já estamos) e o inverno acima da média”, explicou.

Segundo a especialista, apesar do prognóstico “pessimista” para os fãs do tempo mais frio, tais previsões dependem de diversos fatores.

“Se chegar alguma massa de ar frio, ocorre o declínio, mas são momentâneas e então volta a aquecer de novo. No entanto, como nessa época o céu fica completamente sem nuvens, o solo perde mais energia e esfria, possibilitando até a ocorrência de nevoeiros”, complementou.

Isso ocorre porque as nuvens atuam como um espelho ou uma estufa, refletindo e segurando no solo a radiação e o calor absorvido do sol durante o dia. A falta dessa cobertura, somada aos fortes ventos do Cerrado, devem causar uma sensação térmica menor.

Esse contexto faz com que o tempo se comporte quase como um deserto, gerando uma grande amplitude térmica, caracterizada pelo intenso calor de dia, e pelo frio acentuado à noite. Outro fator importante nessa equação é um fenômeno climático sul-americano.

“Em anos que temos o La Niña o frio pode ser maior, como em 2022, que chegou à 5 ° C. Contudo, ainda não está configurada, mas provavelmente irá acontecer no final de julho, ou já em agosto. Portanto, chegaria em um período de retorno do aquecimento, assim as temperaturas não devem ser tão baixas no inverno goiano”, apontou.

Na prática

Olhando para o mapa do Estado, nota-se que a região Sudoeste segue sendo a mais fria de Goiás, composta por cidades como Jataí, Rio Verde e Mineiros, especialmente para aquelas na divisa com o Mato Grosso do Sul. Isso se dá pela proximidade das massas de ar frio que vem do Sul do país, e que muitas vezes não chegam à Goiânia.

Assim, traçando um paralelo entre a capital e Jataí, é possível compreender o panorama das temperaturas em todo o território goiano.

“Julho, na climatologia, é o nosso mês mais frio. Goiânia terá uma temperatura máxima de aproximadamente 30 °C, que não é baixa, e a mínima de 14,8 °C, demonstrando a grande amplitude semostrando. Em agosto as mínimas já sobem para 16,6 °C e em setembro já retorna o calor, chegando à 19,4 °C”, revelou.

Por outro lado, na região apontada como a mais fria, ocorre uma diferença significativa nas mínimas dos mesmos meses:

“Em Jataí, a máxima de junho será de 29,2 ° C e a mínima de 12,3 °C. Já em julho a máxima sobre, chegando à 29,9 °C, no entanto, a mínima também desce, para 11,6 °C. Por fim, em agosto, já se elevam para 32,1 °C e 13,1 °C”, finalizou.

Por Samuel Leão
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7

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