Pecuarista aposta em tecnologia para produzir até 24 vezes mais por hectare sem ampliar área

Produzir mais carne utilizando a mesma área é uma das estratégias adotadas pela pecuária para elevar a produtividade sem depender da abertura de novas áreas. Em Mato Grosso, o pecuarista Arlindo Vilela, de Rondonópolis, defende que a intensificação, associada ao uso de tecnologia e ao manejo adequado, permite avançar simultaneamente em produção e sustentabilidade.
Com 32 anos de atuação no setor, Vilela chama a atenção para a diferença entre a produtividade média brasileira e o potencial que, segundo ele, já pode ser alcançado com tecnologias disponíveis.
“A média brasileira produz cinco arrobas por hectare. A gente tem condição, já tem tecnologia disponível para produzir 120. E de uma forma muito mais sustentável com o meio todo, no social, no resultado financeiro, no ambiental e também no bem-estar animal”, afirma.
A comparação apresentada pelo produtor representa um potencial de produção 24 vezes maior por hectare — de cinco para 120 arrobas — sem que o crescimento necessariamente dependa da incorporação de novas áreas.
Intensificação busca produzir mais na mesma área
Na prática, a intensificação da pecuária reúne diferentes estratégias para melhorar a eficiência dentro da propriedade.
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Manejo, recuperação e melhoria das pastagens, nutrição, genética, gestão e utilização de tecnologias estão entre as ferramentas que podem aumentar a quantidade de carne produzida por hectare.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o ganho de eficiência permite aproximar produtividade e sustentabilidade.
“A tecnologia tem um papel fundamental para que o produtor consiga produzir mais e melhor dentro da mesma área. Quando aumentamos a produtividade por hectare, com manejo adequado, melhoria das pastagens, genética, nutrição e gestão, conseguimos tornar a atividade mais eficiente sem deixar de lado a sustentabilidade”, destaca.
Segundo Andrade, esse avanço pode contribuir para conciliar produção, preservação ambiental e resultado econômico dentro das propriedades.
Solo é tratado como patrimônio da produção
Na propriedade de Arlindo Vilela, a preocupação não está restrita ao cumprimento da legislação ambiental. O produtor aponta a conservação e a qualidade do solo como elementos essenciais para a continuidade da atividade.
“Hoje a gente está preocupado com a vida do solo. Isso, para mim, é a base, o solo é o alicerce. Preocupar com a vida do solo é muito importante”, afirma.
O raciocínio é de longo prazo: para sustentar índices elevados de produtividade, a propriedade precisa preservar a capacidade produtiva da terra.
Produção e preservação podem avançar juntas
Para Vilela, aumentar a produção não significa colocar o resultado financeiro acima dos demais componentes da atividade.
“É produzir mais e melhor. E não é só produzir, não é só sair produzindo de uma forma pesada. Você está afetando o meio, você está afetando pessoas, você está afetando várias condições. Tem que dar resultado? Tem. Mas isso não pode ser acima de tudo”, ressalta.
A estratégia defendida pelo produtor mostra uma tendência de transformação da pecuária: buscar maior produção por unidade de área, utilizando tecnologia e gestão para aumentar a eficiência e, ao mesmo tempo, considerar conservação ambiental, qualidade do solo e bem-estar dos animais.
Para um dos maiores estados produtores de carne bovina do país, o desafio é transformar esse potencial tecnológico em eficiência dentro das propriedades e ampliar a produtividade sem vincular o crescimento da atividade à expansão territorial.
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