Energia solar não é o problema da rede elétrica: Empresário afirma que falta investimento em infraestrutura
O crescimento da energia solar no Brasil tem aberto novas oportunidades de investimento, geração de empregos e redução de custos para empresas e produtores rurais. No entanto, entraves regulatórios, dificuldades com concessionárias e a carga tributária ainda são apontados como obstáculos para a expansão do setor.
Durante entrevista ao programa PN7 em Pauta, o empresário Charles, executivo da Bruck Energy e atuante no setor de soluções energéticas, destacou que o principal desafio atualmente está na legislação e nas regras de conexão com as concessionárias.
Segundo ele, mesmo quando o consumidor pretende instalar um sistema apenas para consumo próprio, ainda depende de autorização da distribuidora.
“Hoje, para conectar energia solar em uma residência, comércio ou indústria, é necessário pedir autorização da concessionária. E muitas vezes essa autorização é negada. Isso acaba prejudicando o crescimento do setor”, afirmou.
Charles explicou que, embora o mercado já possua tecnologia suficiente para ampliar a geração própria de energia, a regulação ainda não acompanha a evolução do setor.
Concessionárias e aprovação de projetos
Outro ponto levantado pelo empresário é a dificuldade de aprovação de projetos junto às concessionárias de energia. De acordo com ele, empresas do setor que antes instalavam cerca de 100 sistemas por mês passaram a enfrentar forte queda na demanda.
“Hoje muitas empresas conseguem aprovar apenas 20 ou 30 projetos mensais. A justificativa apresentada normalmente é o chamado fluxo reverso de energia, ou seja, excesso de energia sendo injetada na rede”, explicou.
Na avaliação do empresário, o problema também envolve a necessidade de investimentos em infraestrutura na rede elétrica.
Armazenamento de energia surge como alternativa
Para driblar as limitações impostas pela rede elétrica, uma das alternativas em estudo no setor é o armazenamento de energia em baterias.
Segundo Charles, essa solução permitiria que residências e empresas armazenassem a própria energia gerada durante o dia, reduzindo a dependência da rede pública.
“A tendência é que, com o tempo, o armazenamento de energia fique mais barato e cada vez mais pessoas possam se tornar menos dependentes da concessionária”, afirmou.
No entanto, ele ressalta que o custo das baterias ainda é elevado, o que limita a adoção em larga escala.
Impostos e legislação também preocupam empresários
Além da regulação, a carga tributária também é apontada como um fator que dificulta o crescimento do setor. Charles lembrou que mudanças recentes na cobrança de impostos sobre equipamentos e sistemas de energia solar impactaram diretamente o mercado.
“O setor gerou muitos empregos nos últimos anos, mas o aumento da carga tributária acaba reduzindo o ritmo de novas instalações”, disse.
Energia solar e competitividade empresarial
Para o empresário, a energia solar se tornou um fator importante para aumentar a competitividade das empresas, especialmente em setores que dependem fortemente do consumo elétrico.
Ele cita como exemplo indústrias que utilizam grande quantidade de energia em seus processos produtivos.
“Quando o empresário entende que a energia solar reduz custos fixos e melhora a competitividade, ele passa a enxergar o sistema como um investimento e não apenas como um gasto”, explicou.
Potencial de crescimento em Jataí
Mesmo diante dos desafios, Charles acredita que cidades do interior com forte presença do agronegócio, como Jataí, têm grande potencial para se beneficiar da energia solar.
Segundo ele, o desenvolvimento econômico local também depende de políticas públicas que incentivem o empreendedorismo e reduzam a carga tributária.
“O município pode apoiar a classe empresarial com incentivos e políticas que estimulem novos investimentos. Quando o empresário cresce, a cidade também cresce”, destacou.
Cooperativismo pode ser caminho para o futuro
Durante a entrevista, o empresário também apontou o cooperativismo como uma alternativa para fortalecer o setor energético, especialmente em regiões rurais.
Segundo ele, cooperativas poderiam organizar produtores e empresários para criar redes próprias de distribuição e geração de energia.
“Já existem regiões no Brasil onde cooperativas de energia funcionam muito bem. Isso permite mais autonomia e pode ajudar a levar energia para áreas onde a rede tradicional tem dificuldade de atender”, explicou.
Energia solar e novas tecnologias
Charles também destacou que a expansão da energia solar está diretamente ligada a outras inovações tecnológicas, como o crescimento dos veículos elétricos.
No entanto, ele alerta que a infraestrutura energética precisa evoluir para acompanhar essa transformação.
“A energia solar abriu caminho para novas tecnologias. Mas, para que isso avance, também precisamos investir na rede elétrica e em soluções de armazenamento”, concluiu.
Por Gessica Vieira
Foto: Alex Alves
Jornalismo Portal Pn7
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