VÍDEO | Golpe do falso advogado em Jataí: veja como identificar a fraude e evitar prejuízos

VÍDEO | Golpe do falso advogado em Jataí: veja como identificar a fraude e evitar prejuízos
Dra. Morgana Barbosa Borges explicou no PN7 em Pauta como identificar e evitar o golpe do falso advogado.

O chamado golpe do falso advogado tem feito vítimas em diferentes regiões do país e também exige atenção em Jataí. A fraude utiliza nomes, fotografias e informações de profissionais verdadeiros para convencer pessoas que possuem processos judiciais a realizar pagamentos sob a justificativa de que existe algum valor a ser liberado.

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O assunto foi abordado nesta segunda-feira, 7 de setembro, durante o PN7 em Pauta. Em entrevista apresentada por Luis Antônio, a advogada criminalista Dra. Morgana Barbosa Borges explicou como o golpe funciona, quais sinais devem despertar desconfiança e o que a vítima deve fazer caso já tenha transferido dinheiro aos criminosos.

Segundo Morgana, uma das características que tornam a fraude convincente é justamente a utilização de informações relacionadas a processos que realmente existem.

“Eles, com um número diferente, mas imitando a foto, o nome do advogado, entram em contato se apresentando como aquele advogado e explicando sobre algum processo que realmente está ativo”, explicou.

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Na abordagem, o criminoso normalmente afirma que a ação teve resultado favorável e que existe determinada quantia disponível para o cliente. Em seguida, surge a exigência de pagamento de uma suposta taxa para que o dinheiro possa ser liberado.

A advogada destacou que a combinação entre uma possibilidade de ganho financeiro e a pressão para que a decisão seja tomada rapidamente ajuda a explicar por que algumas pessoas acabam realizando a transferência antes de verificar as informações.

“Eles criam a oportunidade de: ‘saiu a sentença favorável, vai ganhar um valor X’. E a segunda questão é a urgência: ‘você precisa pagar essa taxa e tem que ser hoje, para o valor ser liberado hoje’”, afirmou.

Não existe taxa para liberar valores de processo

Um dos principais alertas feitos durante a entrevista foi em relação à cobrança de valores supostamente necessários para liberar dinheiro decorrente de uma ação judicial.

De acordo com Morgana, podem existir despesas processuais em determinadas etapas de um processo, como custas ou perícias. Isso, no entanto, é diferente de uma suposta taxa exigida simplesmente para que um valor já reconhecido seja liberado.

“Para liberação de valores não é necessário pagar nenhum tipo de taxa”, destacou.

Ela explicou ainda que eventuais honorários advocatícios seguem aquilo que foi estabelecido entre advogado e cliente, mas isso não deve ser confundido com cobranças apresentadas por desconhecidos como condição para receber dinheiro do processo.

“Você vai receber o valor e não precisa pagar nenhum tipo de taxa para tribunal, para banco, nada. Então já fiquem atentos quando falarem que tem que pagar uma certa taxa para liberar valor”, orientou.

Número diferente e urgência devem despertar desconfiança

Outro comportamento comum é o criminoso utilizar um novo número de WhatsApp e dizer que o advogado trocou de telefone ou que a mensagem está sendo enviada por alguém da assessoria do escritório.

Para Morgana, a mudança repentina de contato acompanhada de um pedido financeiro é um importante sinal de alerta.

A advogada também chamou atenção para situações em que o próprio WhatsApp ou número possa ter sido comprometido. Por isso, apenas reconhecer uma fotografia ou até mesmo o telefone não elimina a necessidade de confirmar a informação.

“Ficar de olho realmente nessa questão de pedir valores. O advogado geralmente não vai te pedir valores para liberar algum alvará no processo”, disse.

Caso exista qualquer dúvida, a recomendação apresentada durante a entrevista é interromper a negociação e buscar o profissional pelos canais que o cliente já conhece.

Golpe também ocorre em Jataí

Questionada sobre a presença desse tipo de fraude no município, Morgana afirmou que o problema não está restrito a outras regiões.

“Infelizmente está muito alto em todo lugar do Brasil e aqui em Jataí não seria diferente”, afirmou.

Segundo a advogada, é comum encontrar profissionais alertando clientes nas próprias redes sociais depois de descobrirem que terceiros estão utilizando seus nomes e imagens.

“Vários colegas advogados relatam, e eu vejo postando também nas redes sociais: ‘eu não troquei de número, fique atento, isso é golpe, o meu número continua o mesmo, eu não estou pedindo dinheiro de ninguém’”, relatou.

Recebeu mensagem sobre dinheiro? Confirme com o advogado

Para quem realmente possui um processo e recebe uma mensagem informando que há valores disponíveis, Morgana recomenda não tomar nenhuma decisão financeira antes de confirmar diretamente com o advogado responsável pela ação.

“O indicado é você procurar realmente o seu advogado no número normal ou, se você realmente tiver a oportunidade, vá até o escritório dele, converse com ele pessoalmente e veja como vai ser o recebimento desses valores”, explicou.

Outras alternativas mencionadas incluem solicitar atendimento por meios oficiais já conhecidos pelo cliente ou procurar diretamente o escritório.

A orientação é particularmente importante quando a mensagem apresenta prazo curto para transferência.

“Não caia nessas mensagens de imediatismo e novos números”, reforçou.

Boleto, Pix e conta bancária precisam ser conferidos

A aparência de uma cobrança não deve ser considerada garantia de autenticidade.

Durante a entrevista, Morgana recomendou que boletos sejam conferidos antes de qualquer pagamento. Dados como instituição beneficiária, identificação relacionada ao processo e demais informações precisam fazer sentido dentro daquele procedimento judicial.

O mesmo cuidado deve existir com transferências via Pix.

A sofisticação das fraudes também significa que uma conta aparentemente vinculada ao nome de um advogado ou de um escritório não deve ser aceita automaticamente como verdadeira.

“Hoje em dia eles conseguem fazer contas bancárias no nome do escritório, no nome do advogado, que não é realmente do advogado”, explicou Morgana.

Por isso, a recomendação permanece a mesma: confirmar diretamente com o profissional antes da transferência.

“Sempre conferir com o seu advogado se aquela conta é dele mesmo, se o pagamento deve ser feito naquela conta”, orientou.

Falsos servidores também podem fazer abordagens

O golpe pode ainda assumir outras formas.

Luis Antônio questionou a entrevistada sobre situações nas quais criminosos se apresentam como servidores do Tribunal de Justiça ou do fórum e procuram diretamente a vítima para falar sobre liberação de dinheiro.

Morgana explicou que não é atribuição normal dos servidores judiciais procurar partes dessa maneira para informar sobre valores a receber e solicitar pagamentos relacionados à liberação.

“Eles não vão entrar em contato com você falando que tem valores a ser recebido, que o processo foi ganho. Esse é o papel do seu advogado passar informações”, afirmou.

Diante de uma mensagem atribuída ao Judiciário, a orientação é buscar confirmação pelos canais oficiais ou presencialmente.

Documentos podem parecer verdadeiros

A presença de timbres, códigos e aparência de documento oficial também não é suficiente para comprovar autenticidade.

Segundo Morgana, documentos fraudulentos podem ser produzidos com alto grau de semelhança com materiais verdadeiros.

“Eles fazem os documentos muito fidedignos mesmo, você tem a impressão de que realmente é verdadeiro, mas confirma”, alertou.

A entrevistada recomendou verificar a origem do documento e procurar diretamente a instituição indicada, como o tribunal ou o banco, antes de realizar qualquer movimentação financeira.

Cadastro da OAB pode ajudar na conferência

Outra possibilidade mencionada durante a entrevista é consultar os dados profissionais do advogado.

Morgana citou o Cadastro Nacional dos Advogados como uma ferramenta para verificar se determinado profissional possui inscrição ativa.

Ela destacou, porém, que somente encontrar o nome do profissional no cadastro não comprova que a pessoa que está conversando pelo WhatsApp seja realmente aquele advogado.

A recomendação, nesse cenário, é buscar a OAB ou o próprio escritório por canais independentes para confirmar telefone, endereço e outras informações.

Caiu no golpe: registre ocorrência e procure o banco

A entrevista também tratou das providências necessárias depois que uma transferência já foi realizada.

Segundo Morgana, a vítima deve registrar boletim de ocorrência e reunir as informações disponíveis sobre a fraude, incluindo comprovantes de pagamento e dados relacionados à negociação.

“Basicamente é fazer o boletim de ocorrência para relatar o crime”, explicou.

Paralelamente, a recomendação é procurar imediatamente o banco e informar que a transação pode ter sido fraudulenta.

“Acho que muitos aplicativos de banco você consegue fazer online mesmo. Você consegue contestar aquela ordem de pagamento, aquele Pix”, afirmou.

A instituição financeira poderá solicitar o boletim de ocorrência e analisar a situação para verificar se existe possibilidade de recuperação dos valores.

Boletim de ocorrência também ajuda na investigação

Mesmo quando a vítima acredita que não conseguirá recuperar o dinheiro, Morgana considera importante comunicar formalmente o caso às autoridades.

“Até pela questão de estatística, a gente precisa saber o que está acontecendo, os golpes que estão acontecendo”, afirmou.

Ela destacou que a comunicação também é necessária para que os fatos possam ser investigados.

“Se você não relatar, a polícia não vai saber o que está acontecendo e não vai ter como investigar e correr atrás”, disse.

O advogado que teve seu nome ou imagem utilizados também deve ser informado, para que possa alertar outros clientes e tomar as providências que considerar necessárias.

Advogados também precisam orientar os clientes

Durante a entrevista, Morgana afirmou que profissionais e escritórios podem reduzir riscos estabelecendo previamente como será feita a comunicação com seus clientes.

Ela destacou a importância de explicar desde a contratação quais números serão utilizados, quem está autorizado a fazer contato e de que forma serão tratados eventuais pagamentos.

Sobre a responsabilidade do advogado em casos nos quais criminosos utilizam indevidamente sua identidade, Morgana avaliou que, em muitas situações, o profissional não possui participação ou culpa na fraude. Ela defendeu que contratos e orientações ao cliente deixem claros os canais e dados oficialmente utilizados para pagamentos.

Atenção também à forma de escrever

Até mesmo a linguagem utilizada na mensagem pode revelar sinais de fraude.

Segundo Morgana, erros evidentes de português, abreviações incomuns ou uma forma de comunicação muito diferente daquela normalmente utilizada pelo advogado devem aumentar a desconfiança.

“Se você vê que está um português de certa forma incorreto ou talvez abreviando palavras, essa não é uma forma comum que o advogado tem de conversar, de tratar com seu cliente”, afirmou.

Ao final da entrevista, a advogada reforçou que o principal mecanismo de proteção é evitar decisões financeiras tomadas sob pressão.

“Fiquem atentos a todas as questões realmente de imediatismo, de oportunidade. Muitas das vezes o advogado não troca de número”, disse.

E resumiu a orientação para quem receber uma abordagem suspeita: antes de transferir qualquer valor, interrompa a conversa e confirme diretamente com o profissional de confiança.

A entrevista com a Dra. Morgana Barbosa Borges foi exibida no PN7 em Pauta desta segunda-feira, 7 de setembro.

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Alex Alves

CEO do Portal Panorama e diretor do PodCast #CaféComEla. Formado em Comunicação Institucional, atua na área de jornalismo e mídia digital, sempre buscando informar com credibilidade e dinamismo.

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