Geração Z prefere redes sociais ao sexo, aponta pesquisa

Geração Z prefere redes sociais ao sexo, aponta pesquisa

O hábito quase automático de abrir o celular e rolar a tela sem parar já faz parte da rotina de milhões de pessoas. No entanto, o que começa como uma forma de distração ou informação tem impactado áreas mais profundas da vida, incluindo a intimidade. Uma nova pesquisa aponta que o consumo excessivo de redes sociais não apenas altera hábitos cotidianos, como também pode competir diretamente com o desejo sexual, especialmente entre integrantes da geração Z.

Um levantamento realizado pelo aplicativo de desenvolvimento pessoal RiseGuide, com 2 mil americanos, revela que 39% dos jovens dessa geração preferem as redes sociais ao sexo ao menos ocasionalmente, enquanto 21% fazem essa escolha com frequência. Os dados indicam uma mudança significativa na forma como essa parcela da população se relaciona com prazer e conexão.

A substituição vai além de situações pontuais. Segundo a pesquisa, um em cada oito jovens afirma que navegar nas redes sociais é mais prazeroso do que o sexo, e 23% dizem não perceber diferença entre as duas experiências. Para os pesquisadores, esse comportamento está relacionado a um fenômeno chamado de “A Grande Ausência de Desejo”.

A explicação está no acesso facilitado a estímulos que antes estavam ligados à intimidade, como excitação, validação e conexão, agora disponíveis de forma rápida, constante e gratuita no ambiente digital. Como tanto o uso de redes sociais quanto o sexo ativam a liberação de dopamina no cérebro, muitos acabam optando pela alternativa mais imediata e previsível: a tela.

Os dados sobre o uso de tecnologia ajudam a dimensionar o cenário. De acordo com o estudo, 44% da geração Z passam seis horas ou mais por dia no celular, enquanto 92% admitem abrir mão de horas de sono para continuar navegando. Em casos mais extremos, 20% dizem ignorar necessidades básicas, como alimentação e descanso, para permanecer on-line.

A percepção de dependência também chama atenção. Cerca de 74% dos entrevistados afirmam que o hábito de rolar nas redes sociais é tão ou mais viciante do que substâncias como tabaco ou álcool, indicando que o problema não se limita ao tempo de uso, mas envolve um padrão de consumo compulsivo.

Especialistas destacam que, apesar dos avanços tecnológicos, há limites claros quando o assunto é conexão humana. A neuropsicóloga Leninha Wagner ressalta que ferramentas digitais, inclusive a inteligência artificial, podem oferecer respostas organizadas e até empáticas, mas não substituem a presença humana.

“Não há sujeito do outro lado. Não há transferência genuína, não há um olhar que se sustente, nem o silêncio vivo que acolhe”, afirma. Segundo ela, relações interpessoais dependem da construção de vínculos reais, algo que a tecnologia ainda não consegue reproduzir plenamente.

A especialista resume essa substituição com uma analogia direta: “É como tentar trocar o calor do sol por uma lâmpada. Pode iluminar, mas não aquece.”

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Gessica Vieira

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