Dia de Finados: Frei Rafael Gomes fala sobre fé, saudade e esperança
Religioso explica o significado da celebração para a Igreja Católica e orienta famílias sobre oração, acolhimento e enfrentamento do luto.
O Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, é marcado pela saudade, pelas homenagens e pelas lembranças de pessoas queridas que já morreram. Para a Igreja Católica, porém, a data também representa um momento de oração, reflexão e esperança na vida eterna.
Em entrevista ao programa PN7 em Pauta, o Frei Rafael Gomes explicou o significado da celebração, a importância das orações pelos falecidos e como a fé pode ajudar quem enfrenta a perda de um familiar ou amigo.
Segundo o religioso, a celebração de Finados tem como objetivo rezar pelos fiéis falecidos que, conforme a doutrina católica, estão no purgatório, em processo de purificação espiritual. A Igreja realiza missas e orações para que essas almas alcancem a glória do céu.
“A vida não é terminada, a vida é transformada”, afirmou Frei Rafael ao explicar que, na visão cristã, a morte não representa o fim da existência espiritual. Para ele, os familiares e amigos podem continuar oferecendo apoio por meio das orações.
Dia de Todos os Santos e Dia de Finados têm significados diferentes
Durante a entrevista, o frei também explicou a diferença entre o Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro, e o Dia de Finados, no dia seguinte.
De acordo com ele, a primeira celebração é dedicada àqueles que já alcançaram a glória do céu. Já em Finados, as orações são direcionadas aos fiéis falecidos que ainda estão, segundo a compreensão católica, em processo de purificação.
O religioso destacou ainda que as homenagens realizadas nos cemitérios possuem significados próprios. A vela acesa representa a ressurreição de Cristo, enquanto as flores simbolizam a vitória esperada na vida eterna.
Frei Rafael ressaltou que não é necessário estar fisicamente próximo ao túmulo ou à igreja frequentada pela família para prestar uma homenagem. A oração pode ser feita em qualquer lugar, e os nomes dos falecidos também podem ser incluídos nas intenções das missas.
Fé e acolhimento durante o luto
Outro ponto abordado foi a dificuldade de lidar com a morte e com a ausência de pessoas queridas. Para o frei, a sociedade muitas vezes evita pensar sobre o sofrimento e a finitude da vida, mas reconhecer essa condição pode ajudar a enfrentar momentos de perda.
Ele também destacou a importância da oração como fonte de serenidade para quem está de luto.
“A oração é a solução para o problema do luto. Quando nós nos colocamos diante de Deus, Deus nos dá uma serenidade grande”, afirmou.
Além da espiritualidade, Frei Rafael chamou a atenção para a maneira como as pessoas devem acolher quem perdeu alguém. Segundo ele, nesses momentos, a presença e o apoio podem ser mais importantes do que tentar encontrar palavras para explicar a situação.
“Todo mundo consegue entender a palavra da presença”, explicou. O religioso orientou que familiares e amigos ofereçam um abraço fraterno, companhia e apoio, respeitando o sofrimento de quem está passando pela perda.
O luto é um processo que exige tempo
Ao falar sobre a saudade que permanece mesmo com o passar dos anos, Frei Rafael explicou que o luto não acontece de maneira imediata. Para ele, é um processo gradual, que envolve lágrimas, sofrimento e a necessidade de aprender a seguir a vida.
O religioso aconselhou que as pessoas entreguem diariamente seus entes queridos nas mãos de Deus, por meio da oração. Segundo ele, com o tempo, a tristeza pode dar lugar a sentimentos de saudade e gratidão.
“Transforme a sua tristeza nesse momento em doce saudade, em doce gratidão”, aconselhou ao deixar uma mensagem especialmente para quem vai enfrentar o primeiro Dia de Finados após a perda de alguém próximo.
Na avaliação do frei, a fé oferece uma perspectiva de esperança diante da morte. “A morte não é fim para quem tem fé. A morte é sempre um portal que nos conduz à vida plena”, declarou.
A entrevista também abordou a chegada do Natal e os desafios de celebrar a data pela primeira vez sem a presença de alguém querido. Para Frei Rafael, a espiritualidade e as tradições familiares podem ajudar a tornar esse período mais acolhedor.


