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Ford Ka FreeStyle 1.0: primeiras impressões

Ford Ka FreeStyle 1.0 — Foto: André Paixão/G1
Versão com motor de 1 litro é opção mais em conta para quem quer visual aventureiro. Se esses aparatos não forem indispensáveis, configuração com motor 1.5 custa menos e anda mais...

Raras são as fabricantes que não resistiram à vontade de colocar apliques plásticos nas caixas de roda de seus veículos, elevar a carroceria alguns centímetros e colocar um nome criativo que remeta à aventura, só para fingir que o dito cujo encara qualquer tipo de estrada, e, assim, melhorar as vendas em algumas milhares de unidades.

Com a Ford não foi diferente. A marca que praticamente lançou o SUV compacto lançou mão desse estilo também no Ka, em sua versão FreeStyle. O fato novo é que essa moda também chegou aos populares com motor 1.0. No caso do Ka, um 3 cilindros aspirado que entrega 85 cavalos.

Assim como todos os demais pseudo-aventureiros, ele não tem tração 4×4, e sequer traz pneus de uso misto, “Calçado” dessa forma, o máximo que faz é percorrer alguns quilômetros na terra para chegar na chácara aos finais de semana.

Por outro lado, faz aquela média com quem só quer ter o visual aventureiro, e nem pensa em tirar o carro de uma pista de asfalto.

Tabela de concorrentes do Ford Ka FreeStyle 1.0 — Foto: Fotos: André Paixão/G1 e divulgação

Voltando ao Ka FreeStyle 1.0, a Ford foi bastante astuta ao encontrar uma faixa de preços em que seu hatch não encontrasse rivais diretos. Por R$ 60.590, ele é bem mais caro do que um Renault Kwid Outsider, de R$ 47.690. Por outro lado, custa menos do que os R$ 62.490 do Fiat Argo Trekking 1.3.

A briga dentro de casa também promete ser acirrada. Um Ka sem toda a roupagem aventureira, na versão SE Plus, mas com motor 1.5 de 136 cv é R$ 200 mais em conta, sendo encontrada por R$ 60.390.

Casar ou comprar bicicleta?

A diferença entre os dois, além do motor, é claro, está no pacote de equipamentos. Ambos oferecem os essenciais: ar-condicionado, direção elétrica, vidros, travas e retrovisores elétricos e central multimídia de 7 polegadas.

Só que o FreeStyle “engrossa o caldo” com rodas de liga leve de 15 polegadas e controles de tração e estabilidade. Ele também possui um rack de teto funcional, faróis e lanternas escurecidos, apliques plásticos nas caixas de roda, adesivos com o nome da versão e bancos com acabamento um pouco mais caprichado, misturando tecido e algo que lembra couro.

Ou seja, o cliente precisa escolher entre mais equipamentos e um visual “descolado”, mas com motor mais fraco, ou desenho mais discreto, com motor mais potente, só que com menos itens de série.

1.0 dá conta

Se a opção for pelo aventureiro, o motorista não deve passar grandes apuros ao volante, mesmo tendo um motor 51 cv mais fraco. Não é que o 1.0 fica devendo. É o 1.5 que sobra no Ka.

Prova disso é que este é o motor 1.0 aspirado mais potente do mercado. São 85 cv e 10,7 kgfm de torque, suficientes para conferir agilidade ao hatch de 1.081 kg na cidade.

Em algumas situações, é preciso explorar bem o câmbio manual de 5 marchas para obter melhor desempenho. Mas isso não é tarefa difícil, com engates curtos e bastante precisos.

Ao trocar uma marcha, porém, dá pra sentir um “buraco” entre 2.500 e 3.000 rotações por minuto, quando falta torque.

Inimigo do frentista

Ao menos o motorista ficará satisfeito em não precisar aderir ao programa de fidelidade do posto de combustível. O consumo do Ka 1.0 é muito bom. De acordo com o Inmetro, ele faz 9,1 km/l e 13 km/l na cidade, com etanol e gasolina, respectivamente. Na estrada, nessa mesma ordem, consome 10,4 km/l e 15,1 km/l.

Curiosamente, os números são um pouco piores do que os das versões “convencionais”, o que pode ser explicado pelo peso extra, além dos centímetros adicionais na altura.

São 3 cm, pra ser exato – quase a mesma diferença da altura em relação ao solo, 18,8 cm no FreeStyle, 16,4 cm nos demais.

Com a carroceria levemente mais alta, o hatch ainda tem mais capacidade para enfrentar as ruas esburacadas do país. Aqui, apesar da maquiagem aventureira, é preciso ressaltar que a Ford não alterou os pneus para um modelo de uso misto. Então, tentar entrar em terrenos com menos aderência pode ser uma aventura perigosa.

Nesse aspecto, o Ka FreeStyle fica para trás na comparação com o Hyundai HB20X, avaliado pelo G1, e o Fiat Argo Trekking. Ele também se sai bem pior no acabamento interno.

Ford de 1990

Apesar do visual moderno, a cabine é construída com materiais bastante simples. A não ser pelas pequenas tiras de tecido nas portas, o interior tem muito plástico duro de aspecto rústico.

Nem a cor marrom ajuda a conferir um ar mais sofisticado ao pequeno Ford. Aliás, a sofisticação também passa longe do quadro de instrumentos, que parece ter sido inspirado na última geração do Ford Escort, lançada ainda nos anos 1990.

Conta-giros e velocímetro são pequenos demais, enquanto o medidor do nível de combustível é maior do que deveria. O conjunto ainda carece de ousadia. O fundo preto é preenchido por caracteres brancos em uma fonte sem graça.

O computado de bordo usa uma pequena tela de cristal líquido para exibir, em azul, as informações como consumo e autonomia.

Ao menos a central multimídia de 7 polegadas parece – e é – moderna. Além de fácil de usar, com comandos simples, pode espelhar o conteúdo de smartphones usando Android Auto e Apple CarPlay.

Vale a pena?

Se o motor 1.0 não for um incômodo, o Ka FreeStyle acaba sendo ótima opção de hatch com visual aventureiro. Ele não maltrata tanto o bolso do cliente, e ainda oferece um carro equipado, (para esta faixa de preços) gostoso de dirigir e econômico.

Mas, se a demanda for por um carro de melhor desempenho, melhor deixar os apliques plásticos e a suspensão elevada de lado e investir em um Ka com motor 1.5. Ou partir para a concorrência, e buscar um Argo Trekking 1.3.

Por André Paixão, G1
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Redação Portal PaNoRaMa

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