Goiás ocupa 6º lugar no país em ações por assédio eleitoral no trabalho

Goiás ocupa 6º lugar no país em ações por assédio eleitoral no trabalho

Estado registrou 33 processos entre maio de 2023 e dezembro de 2025; pressão psicológica e uso de meios digitais aparecem entre as principais formas identificadas

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Goiás ocupa a sexta posição no ranking nacional de processos relacionados a assédio eleitoral no ambiente de trabalho. O levantamento considera ações registradas na Justiça do Trabalho entre maio de 2023 e dezembro de 2025 e ganha relevância com o avanço do calendário das Eleições 2026.

No período analisado, o Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18), responsável por Goiás, contabilizou 33 processos relacionados ao tema.

O levantamento analisou 694 processos nos 24 Tribunais Regionais do Trabalho do país. Goiás aparece atrás de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

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O que é assédio eleitoral no trabalho?

O assédio eleitoral ocorre quando o trabalhador é submetido a pressão, ameaça, constrangimento, intimidação ou promessa de benefício com a intenção de interferir em seu voto ou posicionamento político.

A prática pode assumir diferentes formas.

Entre os exemplos estão ameaças de demissão ou perda de função em razão da escolha eleitoral, exigência de comprovação do voto, obrigação de participar de atos políticos ou oferecimento de vantagens para que o empregado apoie determinado candidato.

A pressão não precisa, portanto, ocorrer apenas por meio de uma ameaça explícita.

Pressão psicológica aparece em 81,9% dos processos

Os dados mostram que a pressão psicológica é a manifestação mais recorrente, aparecendo em 81,9% dos processos analisados.

Entre as situações identificadas estão discursos que relacionam determinado resultado eleitoral a consequências negativas para empresas, empregos ou para a situação econômica dos trabalhadores.

A intimidação econômica também possui presença significativa.

Em 61,7% dos processos, foram identificadas formas de pressão relacionadas a questões financeiras ou profissionais, como salário, manutenção de função ou permanência no emprego.

Também existem registros envolvendo a oferta de vantagens para trabalhadores que manifestassem apoio à candidatura defendida pelo empregador.

WhatsApp e redes sociais também entram no alerta

Outro dado chama atenção para o uso da tecnologia.

Meios virtuais aparecem em 67,4% dos casos analisados, sendo o WhatsApp apontado como o principal instrumento tecnológico associado às práticas investigadas.

Entre as condutas relatadas estão criação de grupos para propaganda política, envio obrigatório de conteúdos, pressão para que funcionários publiquem material eleitoral nas próprias redes sociais e tentativas de acompanhar as preferências políticas dos trabalhadores.

Isso significa que o assédio não precisa acontecer presencialmente dentro da empresa. Comunicações realizadas em grupos corporativos, aplicativos de mensagens ou outros ambientes digitais também podem ser consideradas durante uma apuração.

São Paulo lidera ranking nacional

São Paulo aparece na primeira posição do levantamento, somando 129 processos registrados pelos TRTs da 2ª e da 15ª Regiões.

Na sequência aparecem Paraná, com 109; Rio Grande do Sul, com 77; Rio de Janeiro, com 48; e Santa Catarina, com 46.

Goiás aparece em sexto, com 33 processos, seguido por Minas Gerais, que contabilizou 32.

Os dados integram materiais da campanha “No meu voto mando eu”, desenvolvida por instituições como Ministério Público do Trabalho (MPT), Tribunal Superior do Trabalho (TST) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições deste ano.

Goiás já recebeu denúncias em 2026

Além dos processos considerados no levantamento histórico, o tema voltou a gerar registros no atual período eleitoral.

Em Goiás, o Ministério Público do Trabalho já havia recebido oito denúncias de possíveis práticas de assédio eleitoral em 2026 até agosto. Duas delas haviam sido apresentadas naquele mês e eram provenientes do interior do estado. Os detalhes permaneciam sob sigilo.

A fiscalização e a atuação institucional foram reforçadas diante da proximidade das eleições.

Trabalhador pode denunciar

Quem identificar uma possível situação de assédio eleitoral no ambiente de trabalho pode procurar o Ministério Público do Trabalho, a Justiça Eleitoral ou as ouvidorias dos Tribunais Regionais do Trabalho.

O trabalhador também pode buscar o sindicato de sua categoria. Dentro das empresas, RH ou setor de compliance podem ser acionados quando houver condições seguras para realizar a comunicação.

O empregador que praticar ou permitir assédio eleitoral pode estar sujeito a responsabilização, incluindo indenizações por danos morais e outras medidas previstas na legislação.

Com as Eleições 2026 em andamento, a orientação central é que a escolha política pertence ao trabalhador e deve ocorrer de forma livre, sem interferência decorrente da relação de emprego.

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Nágila Nathália

Secretária do Portal PaNoRaMa. 23 anos. Mãe. Casada.

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