Exportações de sucata disparam 17% no início de 2026, enquanto setor alerta para risco de avanço chinês
As exportações de sucata ferrosa começaram 2026 em alta. Em janeiro, o Brasil embarcou 69.349 toneladas do insumo usado na fabricação do aço. O volume representa crescimento de 16,9% em relação a janeiro de 2025, quando o país exportou 59.323 toneladas. O Ministério da Economia divulgou os dados por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Além disso, o resultado confirma a tendência registrada no ano passado. Em 2025, as vendas externas somaram 885.732 toneladas. O número superou em 28,2% o volume de 2024, que alcançou 690.791 toneladas. Também ultrapassou em 10,7% o recorde anterior, registrado em 2023, quando as exportações chegaram a 800 mil toneladas.
Segundo o setor, os recicladores destinam ao mercado externo apenas o excedente que não conseguem vender no Brasil.
Mercado interno perde força
Enquanto as exportações avançam, o mercado doméstico apresenta retração. As usinas siderúrgicas nacionais reduziram as compras de sucata nos últimos anos. Como consequência, recicladores enfrentam dificuldades para escoar a produção internamente.
Atualmente, cerca de 6 milhões de toneladas de aço importado entram no Brasil todos os anos. Esse volume circula em um mercado estimado em 36 milhões de toneladas. Assim, o produto estrangeiro pressiona preços e reduz a competitividade da indústria nacional.
“Essa situação vem desestruturando a indústria brasileira do aço, que não consegue competir com a China, mais eficiente do ponto de vista logístico e tributário e que conta com subsídios do governo há vários anos. Isso tem levado à forte queda nas compras de sucata ferrosa no mercado interno”, afirma o presidente do Instituto Nacional de Reciclagem (Inesfa).
De acordo com o dirigente, o setor investiu na qualificação do material. Atualmente, cerca de 60% da sucata consumida pelas usinas no país já sai no padrão “pronto uso”. Esse modelo torna a produção mais eficiente e reduz etapas industriais. Além disso, diminui a atuação de intermediários informais, conhecidos como “noteiros”, que vendem material in natura sem recolher impostos.
No exterior, Índia, Bangladesh e Paquistão lideram as compras da sucata brasileira.
Possível venda da CSN amplia incertezas
O setor acompanha com atenção a possível venda das operações da CSN no Brasil. Em fato relevante divulgado em 15 de janeiro, a companhia informou que o conselho de administração autorizou um projeto estruturado de desinvestimento. A empresa busca reorganizar a estrutura de capital e reduzir o endividamento.
Para o presidente do Inesfa, a entrada de um investidor chinês pode ampliar a presença do aço importado no país. Segundo ele, o movimento afetaria toda a cadeia produtiva, desde as siderúrgicas até recicladores, cooperativas e catadores autônomos.
Além disso, como o mercado brasileiro concentra poucas usinas, o Cade pode vetar a compra por concorrente nacional. Nesse cenário, grupos estrangeiros ganhariam espaço na negociação.
Reforma tributária preocupa recicladores
No campo tributário, o setor também monitora os desdobramentos da reforma. O Ministério da Fazenda informou que a venda de materiais realizada por catadores, cooperativas e organizações da economia popular continuará isenta após a mudança no sistema de tributos.
Ainda assim, o Inesfa avalia que a reforma pode gerar impactos indiretos na cadeia da reciclagem. “Sabemos que haverá impacto, mas ainda não conseguimos mensurar. O setor possui muitas particularidades. Por isso, solicitamos reuniões com a Receita e participamos ativamente do Fórum Nacional da Economia Circular, do MDIC”, afirma Alvarenga.
Paralelamente, a entidade encomendou estudo para analisar os efeitos da Proposta de Emenda Constitucional 34, de 2025, conhecida como PEC da Reciclagem. A proposta já reuniu 185 assinaturas no Congresso. Segundo o setor, a medida busca corrigir o crédito concedido pela reforma tributária às empresas de reciclagem.
Por Gessica Vieira
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7
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