Hábito comum no dia a dia pode reduzir risco de demência em até 35%, aponta estudo internacional
Tomar café diariamente pode ir além de ajudar a despertar. Um estudo publicado em 9 de fevereiro no JAMA Network aponta que o consumo moderado de café com cafeína está associado a um menor risco de demência e a melhores resultados em testes de função cognitiva ao longo do envelhecimento.
A pesquisa analisou dados de 131.821 pessoas acompanhadas por até 43 anos em dois grandes estudos dos Estados Unidos: o Nurses’ Health Study, com mulheres, e o Health Professionals Follow-Up Study, com homens. Durante esse período, 11.033 participantes desenvolveram demência.
O principal achado indica que o benefício está ligado ao consumo moderado. Segundo os pesquisadores, a ingestão diária entre 250 mg e 300 mg de cafeína — o equivalente a cerca de duas a três xícaras de café — foi associada a uma redução de até 35% no risco de demência em adultos de até 75 anos.
Café com cafeína apresenta melhores resultados
O estudo comparou diferentes bebidas, incluindo café com cafeína, café descafeinado e chá. Os resultados mostraram que apenas o café com cafeína esteve associado a menor risco de demência. Já o café descafeinado não apresentou a mesma relação protetora.
Entre os participantes, aqueles com maior consumo de café com cafeína tiveram 18% menos risco de desenvolver demência em comparação com os que consumiam pouco ou nenhum café. Também foi observada menor prevalência de declínio cognitivo subjetivo: 7,8% entre consumidores da bebida, contra 9,5% entre os demais.
O chá também apresentou resultados positivos. A ingestão de uma a duas xícaras por dia foi associada a menor risco de demência, embora com impacto menos destacado que o café com cafeína.
Possíveis explicações científicas
Os cientistas apontam algumas hipóteses para explicar os efeitos da cafeína no cérebro. Uma delas é a capacidade da substância de bloquear a adenosina, molécula que reduz a atividade de neurotransmissores importantes, como dopamina e acetilcolina, ligados à memória e à atenção.
Outra possível explicação envolve a ação anti-inflamatória e a proteção celular. Café e chá contêm compostos bioativos, como os polifenóis, que podem contribuir para a saúde dos vasos sanguíneos e das células cerebrais.
Consumo moderado é o mais indicado
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores reforçam que não há benefício em exageros. O estudo indica que a maior proteção ocorre com consumo moderado, especialmente entre duas e três xícaras de café com cafeína por dia. Acima dessa quantidade, não foi observada melhora significativa adicional.
Os autores também destacam que a pesquisa é de caráter observacional. Isso significa que os dados mostram uma associação entre o consumo de café ou chá e o menor risco de demência, mas não comprovam que essas bebidas, isoladamente, sejam capazes de prevenir a doença.
Share this content:

