Delegada de Goiás alerta para riscos no Roblox a crianças

Delegada de Goiás alerta para riscos no Roblox a crianças

O jogo Roblox, amplamente acessado por crianças e adolescentes, tem gerado preocupação entre autoridades de segurança pública. Nos últimos meses, aumentaram as investidas de criminosos contra menores. Por isso, a delegada titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) da Polícia Civil de Goiás (PCGO), Aline Lopes, alertou pais e responsáveis sobre os riscos escondidos na plataforma.

Segundo a delegada, o Roblox não é apenas um jogo. Na prática, trata-se de uma plataforma que permite criar experiências, jogar e conversar com outros usuários. “Os criminosos sabem que ali existem milhões de crianças desassistidas, disponíveis e facilmente acessíveis”, afirmou. Além disso, um dos principais problemas é o sistema de chat. Ele possibilita conversas privadas entre adultos e crianças sem supervisão.

Outro ponto de atenção são os conteúdos disponíveis nos jogos. Muitos simulam situações adultas e expõem menores a discursos de ódio, homofobia e misoginia. Além disso, há conteúdos de cunho sexual incompatíveis com a faixa etária. “Esse ambiente é utilizado por pedófilos e outros criminosos para se aproximar das crianças”, alertou a delegada.

O que fazer

Diante desse cenário, Aline Lopes recomenda medidas de segurança dentro da plataforma. Entre elas estão a desativação do chat, das mensagens privadas e da opção que permite adicionar a criança a servidores VIP. Essa ferramenta funciona de forma semelhante à lista de “melhores amigos” das redes sociais. “Essas configurações impedem que estranhos entrem em contato direto com a criança”, explicou.

Além disso, é importante ativar o controle parental com PIN de restrição. Essa senha impede que a própria criança altere as configurações definidas pelos responsáveis. Da mesma forma, a delegada defende a chamada “supervisão ativa”. “Os pais devem jogar junto, entender o jogo, saber quem são os amigos da criança e observar mudanças de comportamento”, destacou.

Outro cuidado envolve o local de acesso à internet. Segundo Lopes, celulares e computadores não devem ser usados em quartos trancados. Em vez disso, devem ficar em ambientes comuns da casa. “Assim, é possível ver e ouvir o que a criança está fazendo”, afirmou.

“Nenhuma medida é eficaz sem diálogo”

Apesar das ferramentas de controle, a delegada reforça que nenhuma medida funciona sem diálogo. Por isso, é essencial conversar com os filhos e explicar que adultos podem se passar por crianças. Além disso, os pais devem orientar para que nunca sejam enviados fotos, vídeos ou dados pessoais. Também é importante deixar claro que encontros presenciais não devem ser marcados.

Caso algo suspeito aconteça, a criança deve procurar imediatamente um adulto de confiança. Além disso, a delegada alerta para sinais como excesso de tempo online, isolamento durante os jogos e tentativa de esconder a tela do celular. Da mesma forma, presentes e amigos desconhecidos pela família também merecem atenção. “Esses comportamentos podem indicar que algo errado está acontecendo”, explicou.

Suspeita de crime

Em casos de suspeita ou confirmação de crime, a orientação é manter a calma. Sobretudo, os pais não devem apagar provas. “Não excluam o perfil da criança e não apaguem mensagens. Façam capturas de tela, gravem vídeos e procurem imediatamente a Polícia Civil”, afirmou. Segundo ela, essas medidas ajudam a identificar criminosos e evitam novas vítimas.

Melhorias recentes

A delegada destacou mudanças recentes na plataforma, motivadas por pressão internacional. Atualmente, menores de 13 anos não podem enviar mensagens diretas privadas. No entanto, o chat durante os jogos continua ativo, ainda que com restrições. Ainda assim, segundo Lopes, criminosos usam códigos e migram para outras plataformas, como Discord e Telegram, onde o contato é livre.

Além disso, ela alertou para os impactos a longo prazo da exposição precoce a conteúdos inadequados. “Precisamos nos preocupar não apenas para que nossos filhos não sejam vítimas, mas também para que não se tornem abusadores no futuro”, destacou. De acordo com a delegada, há casos crescentes de jovens que reproduzem comportamentos violentos e de ódio ao atingir a maioridade.

Apoio aos responsáveis

Pensando em ampliar a segurança, o Roblox disponibiliza uma página exclusiva com informações e ferramentas de proteção. Nela, a plataforma orienta famílias sobre como manter os usuários mais seguros. Além disso, as Regras da Comunidade exigem civilidade e respeito entre os jogadores. Também proíbem conteúdos e comportamentos prejudiciais.

“Nós atualizamos essas regras à medida que as necessidades da nossa comunidade e da nossa plataforma evoluem”, afirma um trecho do documento divulgado pela empresa.

Felca se torna alvo

Uma onda de manifestações tomou conta da plataforma e das redes sociais após uma atualização implementada em 7 de janeiro. A mudança passou a restringir o acesso ao chat. Agora, jogadores precisam verificar a idade e só podem conversar com usuários da mesma faixa etária. Segundo a empresa, a decisão busca aumentar a segurança de crianças e adolescentes, que representam cerca de um terço dos 151 milhões de usuários diários.

De acordo com o Roblox, a medida pretende reduzir riscos como assédio, bullying e outros abusos que violam os termos de uso. Apesar de não ter ligação direta com a atualização, o influenciador digital Felca se tornou alvo de ataques por parte de usuários. Ele é conhecido como símbolo da luta por segurança infantil nas redes.

“Condenamos ameaças contra qualquer pessoa online e incentivamos nossa comunidade a tratar todos com respeito”, afirmou a plataforma. A empresa também lembrou que suas regras proíbem conteúdos que incentivem violência no ambiente digital.

Por Gessica Vieira
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7

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Gessica Vieira

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