AGORAVer todas

Brasil inicia principal janela de exportação de uvas com queda de 14,33% nas vendas

O Brasil entrou na principal janela de exportação de uvas de 2026 com queda de 14,33% no volume embarcado entre janeiro e setembro. Mesmo com tarifa zero na União Europeia, o setor enfrenta concorrência internacional, desafios de qualidade e restrições tarifárias nos Estados Unidos. Outubro e novembro serão decisivos para o desempenho das vendas externas.

Brasil inicia principal janela de exportação de uvas com queda de 14,33% nas vendas

O Brasil iniciou sua principal janela de exportação de uvas de 2026 com embarques abaixo dos registrados no ano passado. Entre janeiro e setembro, o país exportou 14.741,67 toneladas da fruta, uma queda de 14,33% em relação ao mesmo período de 2025. A receita somou US$ 41 milhões, retração de 8,12%, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

PUBLICIDADE
Semana Nacional de Trânsito 2026

O cenário ocorre em um período de maior concorrência internacional. Além dos problemas de qualidade que afetaram parte da produção brasileira no primeiro semestre, o setor enfrenta a oferta de frutas europeias, o avanço comercial do Peru e restrições tarifárias para acessar o mercado dos Estados Unidos.

Exportações crescem em setembro, mas continuam abaixo de 2025

Setembro registrou aproximadamente 4,09 mil toneladas de uvas exportadas, com faturamento de US$ 10,93 milhões. Foi o melhor resultado mensal de 2026 até então, mas ainda ficou abaixo das cerca de 4,75 mil toneladas embarcadas no mesmo mês do ano passado.

O aumento em relação aos meses anteriores acompanha a abertura sazonal da janela exportadora e, isoladamente, não representa uma recuperação das vendas externas.

Outubro e novembro concentram tradicionalmente uma parcela importante dos embarques brasileiros. Em 2025, os dois meses somaram aproximadamente 38,7 mil toneladas, mais de 60% das exportações anuais. O desempenho nesse período será determinante para avaliar se o país conseguirá reduzir a diferença acumulada.

PUBLICIDADE

Tarifa zero na União Europeia não garante recuperação

Desde maio de 2026, a uva brasileira passou a contar com tarifa zero na União Europeia, conforme as condições comerciais previstas no acordo Mercosul–União Europeia. A mudança elimina uma barreira tarifária, mas não foi suficiente para reverter a queda acumulada até setembro.

Segundo levantamento do Hortifrúti/Cepea, repercutido pela FreshPlaza, os embarques brasileiros de uvas para a Europa caíram 44% em setembro na comparação anual. Entre os fatores apontados estão problemas de qualidade em determinados lotes, incluindo questões relacionadas a resíduos, e a disponibilidade de frutas europeias.

A oferta de países como Itália e Espanha continuou disputando espaço nos mercados consumidores. O encerramento gradual dessas temporadas pode abrir oportunidades para fornecedores do Hemisfério Sul, mas o resultado dependerá da qualidade, dos estoques e dos preços.

Estados Unidos impõem desafios às uvas brasileiras

O mercado norte-americano também apresenta oportunidades e obstáculos. Em 2026, o calor antecipou a colheita de uvas na Califórnia, concentrando a oferta em um período mais curto e criando possibilidades para fornecedores externos em determinadas janelas comerciais.

No entanto, a tarifa de 37,5% aplicada às uvas brasileiras dificulta o acesso ao mercado dos Estados Unidos, segundo declaração de Aníbal Campos, da Agrivale, publicada pela FreshPlaza. Custos logísticos, câmbio e frete também influenciam a competitividade.

Apesar das barreiras, o Brasil exportou aproximadamente 755 toneladas de uvas para os Estados Unidos em setembro. O preço médio foi de US$ 2,83 por quilo, queda de 13% em relação ao mesmo mês de 2025.

No Canadá, o movimento foi diferente: as compras passaram de aproximadamente 380 toneladas em setembro de 2025 para 1,08 mil toneladas em setembro de 2026.

Peru amplia presença no mercado internacional

Enquanto o Brasil enfrenta dificuldades, o Peru segue expandindo sua participação no comércio internacional de uvas. Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Irrigação peruano, divulgadas pela FreshPlaza, as exportações do país alcançaram US$ 790 milhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 17,1% em receita na comparação anual.

Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, com compras de US$ 446 milhões no período.

A janela produtiva peruana entre outubro e dezembro coincide com os meses de maior movimentação das exportações brasileiras, aumentando a disputa por compradores. A competitividade de cada origem, porém, também depende das variedades, da qualidade, dos preços e dos custos logísticos.

Argentina lidera destinos da uva brasileira

No acumulado de janeiro a setembro, a Argentina foi o principal destino das uvas brasileiras, com 4,89 mil toneladas adquiridas. Na sequência aparecem os Países Baixos, com 3,69 mil toneladas; o Reino Unido, com 2,34 mil; o Canadá, com 1,65 mil; e os Estados Unidos, com 1,23 mil toneladas.

A distribuição evidencia a importância de mercados com características comerciais distintas para o escoamento da produção nacional.

As dificuldades nas exportações também repercutiram no mercado interno. Segundo o Hortifrúti/Cepea, parte da produção foi redirecionada ao Brasil durante o primeiro semestre, aumentando a disponibilidade e pressionando as cotações em determinados períodos, especialmente das uvas brancas sem sementes.

Outubro e novembro serão decisivos para o setor

Com a principal janela exportadora em andamento, o desafio brasileiro é ampliar os embarques e encontrar compradores que remunerem adequadamente a fruta.

A tarifa zero na União Europeia representa uma oportunidade comercial, mas a concorrência internacional, as exigências de qualidade e as restrições nos Estados Unidos continuam influenciando os negócios.

O desempenho de outubro e novembro ajudará a mostrar se a aceleração sazonal será suficiente para reduzir a queda acumulada ou se o Brasil encerrará a janela de exportação ainda distante dos resultados de 2025.