Colheita da soja avança em Jataí, mas produtores já acumulam perdas de até 15% na produtividade
A colheita da soja voltou a ganhar ritmo em Jataí após quatro a cinco dias consecutivos de sol intenso, que permitiram a retomada dos trabalhos no campo. A avaliação é da produtora rural Lia Katzer, ouvida pela produção do Portal Panorama para atualizar o cenário da safra 2025/26 na região.
Segundo ela, ainda restam aproximadamente 15% das áreas de soja de ciclo médio a longo para serem colhidas no município. Esse percentual, no entanto, não inclui áreas mais recentes de abertura, nem regiões como São José e novas margens agrícolas, onde a colheita deve avançar ao longo de março, possivelmente até o fim do mês.
Nas áreas destinadas ao milho safrinha, a expectativa é de que a colheita da soja esteja praticamente concluída até os dias 7 ou 8 de março, liberando espaço para a implantação da segunda safra.
Atrasos desde o plantio
A atual dinâmica no campo reflete uma sequência de fatores climáticos que comprometeram o calendário da safra. Conforme relatado pela produtora, o primeiro atraso ocorreu ainda em outubro, durante a implantação da lavoura. Naquele momento, a falta de chuvas e o solo seco interromperam o plantio por cerca de oito dias.
Quando as precipitações retornaram, o cronograma já estava comprometido. Em fevereiro, o volume acumulado de chuva chegou a aproximadamente 400 milímetros, acompanhado de cerca de dez dias consecutivos de tempo nublado. As condições prolongaram o ciclo da soja.
Uma lavoura inicialmente prevista para ser colhida com 112 dias acabou se estendendo por mais 10 a 12 dias, atingindo cerca de 124 dias. Como consequência, parte da colheita avançou para março, pressionando o calendário do milho safrinha.
Milho fora da janela ideal eleva risco
O milho safrinha já entrou em fase de plantio na região, mas o cenário exige cautela. De acordo com Lia Katzer, o plantio realizado após 28 de fevereiro já é considerado fora da janela ideal, aumentando o risco produtivo.
Mesmo assim, a semeadura deve se estender até aproximadamente 10 de março. No dia 3 de março, ainda há produtores plantando. A decisão, segundo ela, é influenciada por fatores econômicos e logísticos: insumos e sementes já estão nas propriedades e possuem prazo de viabilidade, o que inviabiliza o armazenamento para a próxima safra.
Diante desse cenário, muitos optam por assumir o risco, apostando em um bom regime de chuvas em abril e, principalmente, em maio, para tentar sustentar a produtividade das áreas implantadas fora do período ideal.
Queda média de produtividade
Em relação ao desempenho das lavouras, o sentimento predominante é de retração. A maioria dos produtores da região relata queda média de produtividade entre 10% e 15% em comparação com a safra anterior.
Há casos pontuais de manutenção do mesmo rendimento e um percentual reduzido que registrou melhora. No entanto, na média geral da região de Jataí, o desempenho está abaixo do observado no ciclo passado.
O cenário consolida uma safra marcada por instabilidade climática e ajustes no calendário, com impacto direto na produtividade e no nível de risco da segunda safra de milho.
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