Randolfo Augusto analisa cenário do agro e alerta para margens apertadas e dependência de crédito
Durante a edição desta segunda-feira (9) do programa PN7 em Pauta, do Portal Panorama, o analista e consultor em agronegócio Randolfo Augusto de Oliveira avaliou o atual cenário econômico do setor e destacou que, embora o agronegócio continue sendo uma atividade rentável, o momento exige cautela e gestão profissional por parte dos produtores.
Na entrevista conduzida pelo âncora Luis Antônio, Randolfo explicou que a combinação entre queda no preço das commodities agrícolas, aumento dos custos de insumos e juros elevados tem pressionado as margens de lucro nas propriedades rurais.
Segundo ele, o agro ainda dá lucro, mas a realidade atual é muito diferente da observada nos anos anteriores.
“O agro dá lucro, sim. Porém, nós estamos em um momento muito difícil. As margens estão apertadíssimas, os preços dos grãos caíram, os custos subiram e os juros estão impactando muito”, afirmou.
Capital de giro e gestão são diferenciais no campo
Para o consultor, dois fatores têm sido decisivos para determinar quem consegue manter resultados positivos no setor: capital de giro e gestão profissional da propriedade.
Randolfo explicou que produtores mais estruturados conseguem atravessar o momento com mais segurança, especialmente por dependerem menos de financiamentos bancários.
Segundo ele, produtores com maior organização financeira e capacidade de armazenagem conseguem escolher o melhor momento para comercializar a produção.
“O diferencial hoje é capital de giro e gestão profissional. Quem conhece seu custo, faz trava de grão e sabe a hora de vender consegue manter o lucro”, destacou.
Ele também alertou que o cenário atual exige cautela de quem pretende iniciar na atividade.
De acordo com Randolfo, quem ainda não possui estrutura ou capital suficiente deve evitar grandes investimentos neste momento.
Dependência de crédito ainda é realidade no agronegócio
Durante a entrevista, o consultor também comentou sobre a forte dependência de crédito que existe no setor agrícola.
Segundo estimativas citadas por ele, mais de 80% dos produtores dependem de financiamentos bancários para custear a produção.
Esses recursos são utilizados principalmente para a compra de insumos, manutenção de máquinas, pagamento de mão de obra e outras despesas operacionais até a colheita.
No entanto, Randolfo explicou que o custo desse financiamento tem aumentado significativamente.
“Quando você coloca todos os custos envolvidos, muitos financiamentos chegam a juros entre 20% e 24% ao ano. Isso pesa muito no resultado final da produção”, afirmou.
Quando o produtor não consegue crédito bancário, outra alternativa comum é o financiamento por meio de revendas de insumos, o que também pode elevar os custos da produção.
Diagnóstico financeiro é fundamental para produtores endividados
Ao comentar sobre produtores que enfrentam dificuldades financeiras, Randolfo destacou que o primeiro passo para recuperar o negócio é realizar um diagnóstico detalhado da situação da propriedade.
Segundo ele, muitos produtores não possuem controle preciso das contas da fazenda, o que dificulta a tomada de decisões.
Ele comparou a situação com um diagnóstico médico, afirmando que é necessário compreender todos os fatores envolvidos antes de definir o tratamento adequado.
“O produtor precisa fazer uma radiografia do negócio: entender quanto deve, para quem deve, qual juros paga e quanto a fazenda realmente gera de caixa”, explicou.
Com esse diagnóstico em mãos, torna-se possível avaliar medidas como renegociação de dívidas, redução de área arrendada ou venda de ativos para reorganizar a estrutura financeira da propriedade.
Profissionalização da fazenda é caminho para o futuro
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a necessidade de profissionalização da gestão no campo.
Para Randolfo, a fazenda precisa ser tratada como uma empresa, com separação clara entre contas pessoais e contas do negócio.
Segundo ele, muitos produtores ainda misturam despesas familiares com as da propriedade, o que pode comprometer o equilíbrio financeiro.
“A fazenda não é mais aquela roça. É uma empresa rural. E para dar certo, precisa de gestão, organização e planejamento”, ressaltou.
Ele também defendeu que produtores busquem apoio técnico e consultorias especializadas quando necessário, especialmente em momentos de crise.
Produtores brasileiros são conscientes em relação ao meio ambiente
Durante a conversa, Randolfo também comentou sobre as exigências ambientais que impactam o agronegócio.
Na avaliação dele, a grande maioria dos produtores brasileiros já atua de forma responsável em relação à preservação ambiental.
Ele afirmou que, em muitos casos, novas exigências impostas por mercados internacionais acabam criando barreiras comerciais para produtos agrícolas.
Mesmo assim, reforçou que o produtor brasileiro, de maneira geral, respeita as legislações ambientais existentes.
Mensagem final aos produtores
Ao encerrar a entrevista, Randolfo deixou uma mensagem direta aos produtores rurais.
Para ele, o momento exige humildade, transparência e coragem para buscar soluções e reorganizar a gestão das propriedades.
“O produtor precisa se profissionalizar. Não pode ter vergonha de reconhecer dificuldades e buscar ajuda. Fazer o diagnóstico do negócio é o primeiro passo para sair da crise.”
A participação do consultor trouxe uma análise direta sobre os desafios econômicos do agronegócio e reforçou a importância da gestão financeira no campo.
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