Caminhoneiros articulam paralisação nacional diante da alta do diesel no Brasil
Caminhoneiros de várias regiões do Brasil intensificaram a articulação para uma paralisação nacional nos próximos dias. O movimento ganhou força após novos aumentos no preço do diesel e críticas às medidas adotadas pelo governo federal.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, a mobilização envolve motoristas autônomos e profissionais contratados por empresas. Apesar disso, as lideranças ainda não definiram uma data para o início da greve.
Mobilização cresce em diversos estados
Atualmente, representantes da categoria já organizam o movimento em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Distrito Federal e Goiás. Além disso, lideranças buscam apoio de cooperativas e transportadoras para ampliar a adesão.
De acordo com Landim, a categoria já decidiu cruzar os braços. No entanto, os organizadores ainda alinham detalhes para garantir maior impacto nacional.
Medidas do governo não atendem expectativa
No dia 12 de março, o governo federal anunciou um pacote emergencial para conter a alta do diesel. Entre as medidas, estavam a zeragem de PIS e Cofins e a criação de subsídios que poderiam reduzir o preço em até R$ 0,64 por litro.
Porém, no dia seguinte, a Petrobras aumentou o valor do diesel A em R$ 0,38 por litro nas refinarias. Como resultado, caminhoneiros afirmam que o reajuste anulou os efeitos da redução tributária.
“Na prática, não houve redução. Precisamos de garantias reais”, afirmou Landim. Além disso, ele destacou que a dependência de importação de parte do combustível agrava ainda mais o cenário.
Categoria cobra cumprimento da lei do frete
Outro ponto de insatisfação envolve o descumprimento da Lei 13.703 de 2018, que estabelece o piso mínimo do frete. Segundo os caminhoneiros, muitos contratantes ignoram a tabela e pressionam por valores abaixo do permitido.
Nesse sentido, a categoria cobra mais fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Além disso, defende medidas como o travamento eletrônico do valor mínimo e a isenção de pedágio para caminhões vazios.
Atualmente, a Abrava representa cerca de 35 mil caminhoneiros. No entanto, o Brasil conta com aproximadamente 790 mil autônomos e cerca de 750 mil motoristas contratados.
Governo acompanha cenário e tenta diálogo
O governo federal acompanha a situação de perto. Inclusive, integrantes da Casa Civil entraram em contato com lideranças da categoria na segunda-feira (16) para discutir alternativas.
Mesmo assim, o clima entre os caminhoneiros segue de desconfiança. “Estamos cansados de reuniões que não resolvem os problemas”, disse Landim.
Estados rejeitam reduzir ICMS
Por outro lado, os governos estaduais recusaram o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir o ICMS sobre o diesel. Em nota, os estados afirmaram que já sofreram perdas anteriores e criticaram a falta de repasse de reduções por parte de distribuidoras e postos.
Paralisação ganha força como forma de pressão
Diante desse cenário, a paralisação surge como principal ferramenta de pressão da categoria. Para os caminhoneiros autônomos, que arcam com combustível, manutenção e pedágios, o custo da atividade se tornou insustentável.
Assim, caso não haja novas medidas que garantam previsibilidade e redução de custos, a tendência é de que o movimento ganhe ainda mais força nos próximos dias.

