Burnout ou só esgotamento moderno? A verdade que quase ninguém quer encarar
Nos últimos anos, o número de ações trabalhistas alegando burnout explodiu — mas a Justiça do Trabalho tem encontrado um desafio cada vez maior: nem todo cansaço extremo é burnout ocupacional.
Os sintomas são parecidos: exaustão, ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração, colapso emocional.
A diferença está na causa.
🔸 Burnout verdadeiro: nasce do trabalho — jornada excessiva, pressão contínua, falta de pausas, plantões ininterruptos, metas inalcançáveis. É doença ocupacional quando há prova de que o ambiente contribuiu diretamente para o adoecimento.
🔸 Esgotamento moderno: nasce da vida — hiperconexão, excesso de telas, lazer que não descansa, dopamina instantânea, sono interrompido e nenhum tempo real de recuperação mental.
Hoje, grande parte do “descanso” é scroll infinito, vídeos curtos, barulho digital e estímulos que exaurem o cérebro.
Resultado? Gente que acredita estar em burnout quando, na prática, está apenas sem descanso profundo há meses.
📌 E por que isso importa no Direito do Trabalho?
Porque responsabilidade do empregador exige nexo causal.
Sem prova de que o trabalho foi fator determinante, não há doença ocupacional.
É por isso que muitos pedidos têm sido negados:
Laudos frágeis, diagnósticos baseados só em relatos, ausência de carga de trabalho exaustiva, fatores pessoais evidentes — tudo isso afasta a responsabilidade da empresa.
TRT-18, por exemplo, tem reiterado que burnout sem nexo não gera indenização.
Já quando o nexo é claro — jornadas abusivas, plantões contínuos, ausência de férias — tribunais como TRT-2 e TRT-4 reconhecem a doença ocupacional e condenam.
⚖️ O desafio é encontrar o equilíbrio:
→ Proteger quem adoece pelo trabalho.
→ Sem transformar o empregador em “responsável universal” pela exaustão da vida moderna.
💡 E a pergunta que fica é simples:
Estamos realmente adoecendo pelo trabalho — ou estamos deixando de descansar de verdade?
Comente aqui: Você acha que burnout aumentou porque o trabalho piorou, ou porque a vida mudou?
#sebastiaogomesnetoadvocacia
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