Brasileiros sacam R$ 429 milhões esquecidos; R$ 10,27 bi ainda aguardam retirada
Os brasileiros sacaram R$ 429,18 milhões em valores esquecidos no sistema financeiro apenas no mês de dezembro do ano passado. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10) pelo Banco Central do Brasil (BC).
Ao todo, o Sistema de Valores a Receber (SVR) já devolveu R$ 13,35 bilhões a clientes bancários. No entanto, ainda permanecem R$ 10,27 bilhões disponíveis para saque em instituições financeiras de todo o país. Ou seja, apesar do volume já resgatado, uma parcela significativa dos recursos segue esquecida.
Como funciona o Sistema de Valores a Receber
O SVR é um serviço disponibilizado pelo BC que permite ao cidadão consultar se possui dinheiro esquecido em bancos, consórcios, cooperativas, financeiras ou corretoras. Além disso, o sistema também contempla valores vinculados a empresas e a pessoas falecidas.
Para realizar a consulta inicial, não é necessário fazer login. Basta informar o CPF e a data de nascimento ou, no caso de empresas, o CNPJ e a data de abertura, inclusive quando a empresa já foi encerrada.
Caso o resultado seja positivo, então o cidadão deve acessar o sistema para verificar o valor disponível, a origem do recurso e a instituição responsável pela devolução. Nesse momento, porém, é obrigatório o login na conta Gov.br, nos níveis prata ou ouro, com verificação em duas etapas habilitada.
Formas de resgate
O dinheiro pode ser resgatado de três maneiras. Primeiramente, o interessado pode entrar em contato diretamente com a instituição responsável e solicitar o recebimento. Em seguida, também é possível registrar o pedido pelo próprio Sistema de Valores a Receber. Por fim, há a opção de aderir à função de solicitação automática de resgate.
Com a ferramenta automática, o cidadão não precisa consultar o sistema periodicamente nem registrar manualmente cada solicitação. Assim que houver valor disponível, o crédito será feito diretamente na conta informada.
Entretanto, essa modalidade é exclusiva para pessoas físicas e exige que o titular tenha chave Pix do tipo CPF cadastrada. Ainda assim, a adesão ao serviço é facultativa.
Origem dos valores esquecidos
Os recursos disponíveis para devolução têm diferentes origens. Entre elas estão contas-correntes ou poupanças encerradas, cotas de capital e rateio de sobras líquidas de ex-participantes de cooperativas de crédito, além de recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados.
Além disso, também entram na lista tarifas cobradas indevidamente, parcelas ou despesas de operações de crédito cobradas de forma incorreta, bem como contas de pagamento pré ou pós-paga encerradas. Da mesma forma, contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras encerradas e outros recursos disponíveis nas instituições podem gerar valores a receber.
Número de beneficiários
As estatísticas do SVR são divulgadas com dois meses de defasagem. Ainda assim, os números oferecem um panorama atualizado da situação.
Até o fim de dezembro, 37.064.451 correntistas haviam resgatado valores. Desse total, 33.246.064 são pessoas físicas e 3.818.387 são pessoas jurídicas.
Por outro lado, 54.620.452 beneficiários ainda não sacaram seus recursos. Desses, 49.593.605 são pessoas físicas, enquanto 5.026.847 são pessoas jurídicas.
A maior parte dos valores corresponde a pequenas quantias. De fato, recursos de até R$ 10 concentram 64,94% dos beneficiários. Já valores entre R$ 10,01 e R$ 100 representam 23,3%. Além disso, quantias entre R$ 100,01 e R$ 1 mil somam 9,9% dos casos. Apenas 1,87%, por sua vez, têm direito a receber mais de R$ 1 mil.
Alerta contra golpes
O Banco Central alerta os correntistas sobre golpes praticados por estelionatários que oferecem suposta intermediação para resgatar valores esquecidos. Nesse sentido, o órgão reforça que todos os serviços do Sistema de Valores a Receber são totalmente gratuitos.
Além disso, o BC não envia links nem entra em contato para tratar sobre valores a receber ou confirmar dados pessoais. Portanto, o cidadão deve desconfiar de qualquer abordagem nesse sentido.
Por fim, a autarquia orienta que ninguém forneça senhas ou informações sensíveis, já que nenhuma pessoa está autorizada a solicitar esse tipo de dado em nome da instituição.
Por Gessica Vieira
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7
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