Após onda de ataques a ônibus, orelhão é incendiado em Jataí, GO

Notícias Polícia / Bombeiro

Após uma onda de ataques que terminou com sete ônibus, dois caminhões e um orelhão incendiados em Jataí, no sudoeste de Goiás, mais um orelhão foi queimado na cidade, na madrugada deste sábado (5). O equipamento fica bem ao lado de uma casa, mas um vizinho percebeu as chamas e alertou o morador. Ninguém ficou ferido.

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O comerciante Ariosvaldo Ferreira dos Santos, que mora na casa ao lado do orelhão, diz que chamou a polícia, mas ninguém apareceu. Assim, ele e o vizinho tiveram que apagar as chamas, que estavam bem próximas ao carro da família.

“Acordei com ele me chamando e quando eu olhei o orelhão estava incendiado. Aí ele disse que o fogo ia pegar no meu carro. Aí corri e peguei um balde com água, mas custei a apagar”, relatou.

A Polícia Civil diz que investiga se o ataque ao orelhão tem ligação com os crimes cometidos no início da semana. A principal suspeita é que as ordens para os incêndios partiram de presos que estão na cadeia da cidade.

“Vamos tratar o caso com todas as possibilidades. Seja a de um ato de vandalismo isolado, aproveitando esses fatos que estão acontecendo, seja a continuação dos atos anteriores. É um tanto quanto difícil fazer essa afirmação, pois os três adolescentes que confirmaram terem ateado fogo aos ônibus estão apreendidos”, afirmou o delegado regional de Jataí, Marcos Guerini.

Para o motorista, o sossego acabou na cidade. “Eu mesmo não tenho mais coragem de deixar o meu carro do lado de fora, peguei medo. Do jeito que está, a gente não pode ter confiança mais de nada”, lamentou.

Prisões
Na última quarta-feira (3), a Polícia Militar prendeu quatro homens e apreendeu três menores suspeitos de envolvimento na onda de ataques. A corporação informou que todos os suspeitos confessaram a participação direta ou indireta nos incêndios, iniciados na noite do último dia 1º. O grupo também confirmou que a ordem para os ataques saiu de dentro da prisão. A ação seria uma retaliação contra a política de transferência de presos para outros municípios adotada pela direção da cadeia.

“Em entrevista informal com os presos, foram passados três nomes por apelidos de detentos que cumprem pena no regime fechado no presídio de Jataí”, disse o tenente-coronel da PM, Wellington Urzêda.

Ainda segundo o tenente-coronel, após um trabalho de investigação, a polícia conseguiu identificar quais seriam os próximos alvos do grupo. “Monitorando redes sociais, monitorando conversas, os alvos seriam novamente ônibus e agora escolas públicas do município”, disse.

Além dos sete detidos, a polícia já tinha prendido quatro maiores e apreendido um menor na quinta-feira (3). Segundo o delegado regional de Jataí, Marcos Guerine, eles foram detidos por furtar uma residência. Entretanto, a polícia encontrou galões de gasolina no carro que eles usavam, o que chamou a atenção dos agentes.

Mensagens
Mensagens de áudio e texto ordenando que menores queimem ônibus, supostamente enviadas por presidiários, começaram a circular em aplicativos de celular. A Polícia Civil já investiga a autoria das conversas.

Na gravação que circula em redes sociais, um homem, que supostamente seria um preso, pergunta: “Cadê os bandidos dessa cidade? Cadê os de menor (sic) apetitosos para pôr fogo nesses ônibus?”.

No áudio, ele ainda convoca seus contatos para realizar os ataques e, assim, evitar que eles sejam transferidos. “Vai deixar nois (sic) nesse sofrimento aqui, família? Ajuda nois (sic) aí. Depois vai chegar aqui [presídio] e vai ser bem recebido, cê tá (sic) ligado?”, diz.

Já na mensagem de texto, uma pessoa escreve que haverá mortes de policiais e criminosos devido às medidas adotadas pelo presídio, entre elas, a transferência de presos. “Não vamos importa (sic) com as consequências, vai morrer polícia, vai morrer bandido, mas o crime não vai parar. Chega de opressão da direção do presídio, só queremos nossos direitos”, diz o texto.

A Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (Seap) informou que já abriu uma sindicância interna para investigar a origem das mensagens. Em nota, o órgão informou também que as transferências dos presos ocorrem por vários motivos, “sempre com autorização da Justiça”. Por fim, o comunicado diz que a superintendência “não vê motivos para recuar nas condutas disciplinares respaldadas pela lei de execução penal”.

Ataques
A onda de ataque começou na terça-feira (1º). Sete ônibus, dois caminhões e um orelhão foram incendiados. Além disso, dois homens em uma moto atiraram várias vezes contra um dos portões da cadeia municipal.

De acordo com Marcos Guerine, que coordena a força-tarefa criada para investigar os casos, o objetivo inicial é identificar os autores para, na sequência, descobrir qual a motivação dos ataques.

“Vamos pegar imagens dos postos de combustíveis para tentar identificar os suspeitos e depois definir se foram ataques isolados ou coordenados. Nos últimos tempos, houve uma mudança muito positiva e útil na direção do presídio, agindo com mais rigor dentro da lei. E isso pode ter motivado essa ação”, relatou.

Do G1 Goiás

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