APAE de Jataí amplia atendimento e reforça acolhimento a famílias de pessoas com autismo

APAE de Jataí amplia atendimento e reforça acolhimento a famílias de pessoas com autismo

A presidente da APAE de Jataí, Marluce Cabral da Silva, foi a participante da entrevista exibida no programa PN7 em Pauta, onde destacou o trabalho desenvolvido pela instituição no atendimento a pessoas com deficiência e suas famílias, especialmente no contexto do autismo.

Durante a conversa, Marluce explicou que a APAE oferece um atendimento amplo, que vai além do suporte educacional, incluindo acompanhamento com psicólogos, psicopedagogos e atividades voltadas ao desenvolvimento social e emocional dos assistidos.

Segundo ela, a instituição atende não apenas crianças com transtorno do espectro autista (TEA), mas também pessoas com síndrome de Down, deficiência intelectual e outras condições neurodivergentes, abrangendo diferentes faixas etárias — desde a infância até a terceira idade.


Atendimento contínuo e foco no desenvolvimento

Um dos diferenciais apontados pela presidente é que a APAE não atua como uma escola convencional. O acompanhamento é contínuo e não possui prazo determinado para encerramento, permitindo que os assistidos permaneçam na instituição conforme suas necessidades.

“Ali não tem uma data para sair. O trabalho é voltado para desenvolver habilidades e dar suporte ao longo da vida”, destacou.


Nova estrutura e sala multissensorial

Marluce também ressaltou os avanços na estrutura da entidade, incluindo a nova sede e a implantação de uma sala multissensorial, viabilizada por parcerias.

O espaço é utilizado principalmente para o acolhimento e estímulo sensorial de crianças, oferecendo recursos como luzes, texturas e equipamentos que auxiliam na regulação emocional.

“A sala funciona como um ambiente de acolhimento, muitas vezes acalmando a criança como se fosse um abraço”, explicou.


Realidade das famílias preocupa

Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi o relato sobre a realidade das famílias atendidas. De acordo com Marluce, cerca de 99% dos assistidos são filhos de mães solo, muitas vezes sem rede de apoio.

Ela destacou que essas famílias enfrentam sobrecarga emocional e dificuldades no dia a dia, o que torna essencial o suporte psicológico também para os responsáveis.

“Muitas dessas mães estão esgotadas, sem tempo nem para cuidar de si mesmas. Elas estão, literalmente, pedindo socorro”, afirmou.


Aumento de diagnósticos e falta de estrutura

A presidente atribui o aumento no número de atendimentos principalmente ao maior acesso à informação e, consequentemente, ao crescimento dos diagnósticos.

Apesar disso, ela alerta que tanto o sistema público quanto o privado enfrentam dificuldades para atender à demanda, com filas de espera e falta de profissionais especializados.


Desafios na inclusão escolar

Outro ponto abordado foi a inclusão nas escolas. Embora reconheça avanços, Marluce afirma que ainda há falta de preparo por parte de alguns profissionais da educação.

“Existe a lei, mas na prática ainda falta capacitação. Muitos professores não têm formação para lidar com crianças neurodivergentes”, pontuou.


Como ajudar a APAE

Durante a entrevista, Marluce também reforçou a importância da participação da comunidade. A APAE recebe doações financeiras, alimentos, roupas e até materiais eletrônicos usados, que são revertidos em recursos para a instituição.

Além disso, uma campanha de arrecadação está em andamento, com coleta de eletrônicos que podem ser destinados à reciclagem.


Mensagem às famílias

Ao final, a presidente deixou uma mensagem às famílias que recebem um diagnóstico recente de autismo.

“O mundo não acabou. É um processo difícil, mas com informação, apoio e amor, é possível encontrar caminhos e proporcionar qualidade de vida para essas crianças”, concluiu.

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Gessica Vieira

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