VÍDEO | Presidente do Sindicato Rural explica como foi elaborado o laudo que embasou o decreto de emergência em Jataí

A quebra da segunda safra de milho em Jataí, provocada pela estiagem, levou a Prefeitura a decretar situação de emergência no município. A decisão foi baseada em um laudo técnico elaborado pelo Sindicato Rural de Jataí, em parceria com engenheiros agrônomos e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural. Em entrevista concedida ao Portal Panorama, a engenheira agrônoma e presidente do Sindicato Rural de Jataí, Aline Rezende Vilela Gaiardo, explicou como o estudo foi desenvolvido, os critérios utilizados na avaliação das lavouras e a importância do decreto para os produtores rurais.
Levantamento foi realizado por engenheiros agrônomos em diversas regiões do município
Segundo Aline, o laudo foi elaborado após um amplo trabalho de campo conduzido por uma equipe de engenheiros agrônomos voluntários. Os profissionais percorreram diferentes regiões do município para avaliar as condições das lavouras e medir os impactos provocados pela falta de chuva.
Durante as visitas, foram analisados fatores como a época de plantio, o investimento realizado pelo produtor, o desenvolvimento das plantas e a produtividade estimada das áreas cultivadas.
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“Nós fizemos visitas em diferentes pontos do município, observando época de plantio, investimento da lavoura e o potencial produtivo. Com essas informações, conseguimos montar um documento técnico bastante representativo da realidade enfrentada pelos produtores.”
A presidente explica que o objetivo foi construir uma amostragem que refletisse com fidelidade a situação da produção de milho em todo o município.
Apenas lavouras dentro do zoneamento climático entraram no estudo
Aline destaca que o levantamento considerou somente propriedades que seguiram o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), período oficialmente recomendado para o plantio da cultura.
Segundo ela, essa metodologia foi adotada para garantir credibilidade ao documento e atender aos critérios normalmente exigidos pelas instituições financeiras.
Mesmo avaliando apenas as áreas implantadas dentro da janela considerada ideal, o estudo apontou uma perda média de 51% da produtividade, índice considerado extremamente elevado.
“As lavouras plantadas fora da janela tiveram perdas ainda maiores, muitas chegando a 100%. Mas esses casos não entraram no levantamento porque não são aceitos como referência pelos bancos.”
Documento técnico embasou o decreto de emergência
Após a conclusão do estudo, o laudo foi encaminhado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural, que levou a documentação para análise da Prefeitura de Jataí.
Com base nas informações técnicas apresentadas, o município publicou o decreto de situação de emergência.
Para Aline, o reconhecimento oficial demonstra a gravidade dos prejuízos registrados na segunda safra e representa uma importante ferramenta de apoio aos produtores.
Ela lembra que Jataí foi o primeiro município goiano a adotar essa medida diante das perdas provocadas pela estiagem.
Decreto pode fortalecer pedidos de renegociação
Durante a entrevista ao Portal Panorama, a presidente do Sindicato Rural explicou que o decreto não garante automaticamente a renegociação de financiamentos ou dívidas, mas fortalece os pedidos apresentados pelos produtores às instituições financeiras.
Ela orienta que cada agricultor procure um engenheiro agrônomo para elaborar o laudo específico da própria propriedade e apresente esse documento juntamente com o decreto municipal.
“O decreto é um respaldo importante. O produtor deve anexá-lo ao laudo individual da sua lavoura quando procurar bancos ou empresas para negociar suas dívidas.”
Segundo Aline, cada propriedade possui características próprias e, por isso, o laudo individual continua sendo indispensável para demonstrar os prejuízos efetivamente sofridos.
Prejuízos ultrapassam as porteiras das fazendas
Além das perdas nas lavouras, Aline ressaltou que os impactos econômicos atingem todo o município.
Ela revelou que, durante reunião com o prefeito, foi apresentada uma estimativa de aproximadamente R$ 300 milhões em prejuízos para a economia de Jataí.
Como um dos maiores polos do agronegócio em Goiás, a redução da produção de milho afeta diversos segmentos ligados à cadeia produtiva, desde fornecedores de insumos até o comércio e a prestação de serviços.
Produtores precisam agir com cautela
Diante do cenário, a presidente do Sindicato Rural orienta os produtores a adotarem uma postura de prudência na condução dos negócios.
Ela recomenda revisar custos, buscar melhores condições de financiamento, aproveitar oportunidades de mercado e realizar um planejamento financeiro cuidadoso para enfrentar o período de dificuldades.
“A agricultura é feita de ciclos. Existem momentos bons e momentos difíceis. O importante é aproveitar as oportunidades quando elas aparecem e colocar o pé no freio nos períodos de maior dificuldade.”
União entre instituições fortaleceu a resposta ao problema
Aline também destacou a atuação conjunta entre o Sindicato Rural de Jataí, os engenheiros agrônomos, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural e a Prefeitura durante todo o processo.
Segundo ela, essa integração foi fundamental para produzir um laudo técnico consistente e garantir que o município pudesse reconhecer oficialmente os impactos provocados pela estiagem.
Para a presidente, o trabalho coletivo demonstra a importância da união entre entidades e poder público para oferecer suporte aos produtores rurais em momentos de crise.
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