Os preços internacionais do açúcar fecharam em alta nesta quarta-feira (28), impulsionados por dados que apontam redução na produção brasileira na primeira quinzena de outubro. As chuvas persistentes no Centro-Sul dificultaram a colheita da cana-de-açúcar e reduziram o ritmo de moagem nas usinas.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato do açúcar bruto com vencimento em março avançou 0,73%, encerrando o pregão a 19,34 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro subiu para US$ 525,60 por tonelada.
Segundo dados da S&P Global Energy, as usinas do Centro-Sul produziram 2 milhões de toneladas de açúcar na primeira quinzena de outubro. O volume ficou 2,5 milhões de toneladas abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, conforme os números apresentados na análise de mercado.
Câmbio influencia as cotações
Apesar da alta, os preços ainda refletem a pressão cambial observada nos últimos dias. A desvalorização do real favorece a competitividade das exportações brasileiras, pois aumenta a receita em moeda nacional obtida com vendas realizadas em dólares.
Esse movimento pode estimular a oferta brasileira no mercado internacional e limitar a recuperação das cotações.
Déficit global aumenta preocupação com a oferta
As perspectivas para o balanço mundial também influenciam o mercado. A Covrig Analytics elevou a estimativa de déficit global de açúcar para a safra 2026/27, de 300 mil para 490 mil toneladas.
Para 2025/26, a consultoria reduziu a previsão de superávit de 5,2 milhões para 1,2 milhão de toneladas, considerando a menor produção brasileira e o aumento das importações indianas.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) informou que a produção de açúcar do Centro-Sul caiu 5,6% em agosto, na comparação anual, para 7,089 milhões de toneladas. As chuvas intensas prejudicaram a colheita e a moagem.
El Niño mantém o mercado em alerta
O possível desenvolvimento de um Super El Niño mantém os investidores atentos aos riscos climáticos no Brasil, na Índia e na Tailândia.
No Centro-Sul brasileiro, a Datagro estima queda de 5% na produção de açúcar em 2026/27, para 38,4 milhões de toneladas.
Na Índia, a produção acumulada até 25 de outubro somava 400 mil toneladas, abaixo das 600 mil toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior, segundo a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA). Apesar da redução, o país mantinha estoques remanescentes estimados em 3,6 milhões de toneladas.
O comportamento das chuvas, o ritmo da moagem brasileira e a evolução da oferta nos principais países produtores devem continuar influenciando os preços internacionais do açúcar.







