Índia reduz tarifa sobre óleo de soja e abre espaço para exportações brasileiras

A Índia reduziu de 10% para 5% a tarifa básica de importação sobre o óleo de soja bruto. A decisão pode ampliar a competitividade do produto brasileiro em um dos maiores mercados consumidores de óleos vegetais do mundo.
A mudança faz parte de uma revisão das tarifas de importação de óleos comestíveis adotada pelo governo indiano para conter a alta dos preços internos e aliviar as pressões sobre os consumidores. Além do óleo de soja, a tarifa sobre o óleo de palma bruto caiu para 5%, enquanto a cobrança sobre o óleo de girassol bruto foi zerada.
Para o Brasil, a alteração ocorre em um momento de forte crescimento das vendas de óleo de soja para o mercado indiano. Nos primeiros oito meses de 2026, as exportações brasileiras do produto ultrapassaram 1,5 milhão de toneladas, alta de aproximadamente 42% em relação ao mesmo período anterior.
A participação indiana também ganhou relevância. As compras do país asiático cresceram cerca de 56% no período e passaram a representar aproximadamente 70% do volume de óleo de soja exportado pelo Brasil.
Em julho, a concentração das vendas ficou ainda mais evidente. O Brasil exportou cerca de 317,5 mil toneladas de óleo de soja no mês, alta de aproximadamente 130% na comparação anual. Desse total, 269,4 mil toneladas tiveram a Índia como destino.
A redução tarifária pode favorecer novos negócios ao diminuir o custo de entrada do óleo brasileiro no país. No entanto, o efeito sobre as exportações não deve ser analisado isoladamente, já que o óleo de soja disputa espaço com produtos como palma e girassol.
Com o óleo de girassol bruto passando a ter tarifa básica zero e o óleo de palma também recebendo redução para 5%, a decisão indiana amplia a concorrência entre diferentes óleos vegetais. Preços internacionais, fretes, disponibilidade e condições comerciais continuarão influenciando a escolha dos importadores.
O mercado indiano tem peso estratégico para o agronegócio brasileiro. O país importa grandes volumes de óleos vegetais e possui forte dependência do mercado externo para atender ao consumo doméstico.
A mudança também ocorre em um cenário de aumento da demanda indiana por óleos comestíveis. A expectativa de maior consumo antes do período de festividades, combinada à redução da oferta doméstica de algumas matérias-primas, tem levado refinadores indianos a ampliar as compras externas.
Para o setor brasileiro, a abertura de espaço no mercado indiano pode beneficiar as indústrias de processamento de soja e fortalecer a demanda pelo grão destinado ao esmagamento. A maior procura por óleo, porém, não significa automaticamente alta dos preços da soja, que continuam sujeitos a fatores como câmbio, cotações internacionais, oferta global e demanda.
A medida reforça a importância da Índia na estratégia brasileira de diversificação das exportações agrícolas. Com o país asiático aumentando sua participação nas compras de óleo de soja, as mudanças na política comercial indiana passam a ter impacto direto sobre as oportunidades para exportadores brasileiros.








