Brasil terá fábrica de curativos feitos com pele de tilápia para tratar queimaduras

Brasil terá fábrica de curativos feitos com pele de tilápia para tratar queimaduras

Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros está prestes a chegar à produção em escala industrial. Uma fábrica especializada em curativos feitos com pele de tilápia será instalada em Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, no Ceará. O projeto é resultado de pesquisas realizadas pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

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A unidade terá investimento inicial superior a R$ 52 milhões e deverá começar a operar em 2028. A previsão é produzir cerca de 4,3 mil curativos por dia inicialmente, com possibilidade de chegar a aproximadamente 12 mil unidades diárias.

A tecnologia transforma a pele da tilápia em um biomaterial destinado principalmente ao tratamento de queimaduras e outras feridas. O desenvolvimento ocorreu no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da UFC.

Como funciona o curativo

Antes de ser utilizada, a pele passa por processos de preparação, limpeza, processamento e esterilização. Também é aplicada a liofilização, técnica que retira a água do material por congelamento e vácuo, permitindo sua conservação.

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Após preparada, a pele é colocada sobre a região lesionada e pode permanecer no local durante parte da regeneração. Um dos diferenciais é a possibilidade de reduzir a frequência das trocas de curativos, que podem causar dor em pacientes queimados.

Estudos da UFC apontaram resultados promissores relacionados à cicatrização e à redução da dor. A pele de tilápia também apresenta colágeno do tipo 1 e características de elasticidade que favorecem sua utilização como biomaterial.

Da pesquisa ao mercado

Atualmente, a produção ainda é limitada aos laboratórios da UFC, que preparam cerca de 600 unidades por mês. A nova fábrica permitirá ampliar a fabricação e atender uma demanda maior.

Parte da produção poderá ser destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto o projeto também prevê a possibilidade de alcançar outros mercados. A comercialização, porém, depende do cumprimento das exigências regulatórias e sanitárias, incluindo as autorizações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Além da área da saúde, a iniciativa pode agregar valor à cadeia produtiva da tilápia. A pele, antes tratada como subproduto do processamento do peixe, passa a ter potencial para ser transformada em um produto de maior valor.

A instalação da fábrica em Jaguaribara aproveita a proximidade com regiões produtoras de tilápia, que poderão contribuir para o fornecimento da matéria-prima.

A iniciativa marca uma nova etapa da pesquisa brasileira, levando uma tecnologia desenvolvida na universidade para uma produção em maior escala e com potencial de ampliar o acesso a uma alternativa para o tratamento de queimaduras.

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