Falta de armazéns vira gargalo no agro e deixa 135 milhões de toneladas sem espaço no Brasil

O avanço da produção agrícola brasileira nas últimas décadas trouxe um novo desafio para o setor: a falta de capacidade de armazenagem de grãos, considerada hoje um dos principais gargalos logísticos do agronegócio.

Segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a safra nacional deve alcançar cerca de 353,4 milhões de toneladas, enquanto a capacidade de armazenagem ficará 135,4 milhões de toneladas abaixo desse volume.

Na prática, os armazéns brasileiros conseguem estocar apenas 61,7% da produção total, o menor nível registrado em cerca de 20 anos.

Esse cenário impacta diretamente estados com forte produção agrícola, como Goiás, um dos maiores produtores de soja, milho e sorgo do país.

Produtores são obrigados a vender mais rápido

A falta de estrutura para armazenar os grãos faz com que muitos produtores precisem vender a produção logo após a colheita, quando a oferta no mercado é maior e os preços tendem a ser mais baixos.

Sem armazéns próprios ou cooperativos, grande parte da produção acaba sendo entregue diretamente às tradings, que dominam o mercado internacional de grãos.

Entre as principais empresas do setor estão multinacionais como Cargill, Bunge, Louis Dreyfus e Cofco.

Especialistas apontam que, com maior capacidade de estocagem, os produtores poderiam negociar melhor os preços e planejar a venda ao longo do ano, reduzindo perdas financeiras.

Caminhões acabam virando “armazéns sobre rodas”

Durante o período de colheita, a falta de estrutura de armazenagem também pressiona a logística.

Sem local adequado para guardar a produção, caminhões passam a funcionar como “armazéns sobre rodas”, aguardando descarga em armazéns, cooperativas ou terminais portuários.

O problema gera filas, eleva o custo do frete e aumenta a pressão sobre rodovias e portos.

Alto custo dificulta novos investimentos

Um dos principais obstáculos para ampliar a capacidade de armazenagem é o custo da estrutura.

A construção de um armazém de grãos pode exigir investimentos entre R$ 10 milhões e R$ 25 milhões, dependendo do tamanho da unidade.

Além disso, o retorno financeiro costuma ocorrer no longo prazo, o que torna o investimento difícil para pequenos e médios produtores.

Crédito existe, mas ainda é pouco utilizado

Apesar da existência de linhas de financiamento específicas para construção de armazéns, especialistas apontam que esses recursos ainda são subutilizados.

Dados do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) indicam que, em média, apenas 64% dos recursos disponíveis para esse tipo de crédito foram utilizados nos últimos anos.

Produção cresce mais rápido que a infraestrutura

Enquanto a produção agrícola brasileira triplicou nas últimas duas décadas, impulsionada pelo avanço tecnológico e pela expansão das áreas cultivadas, a infraestrutura de armazenagem cresceu em ritmo muito mais lento.

O resultado é um sistema logístico pressionado durante as grandes safras.

Para analistas do setor, ampliar a capacidade de armazenagem será fundamental para garantir mais eficiência, menor custo logístico e maior competitividade ao agronegócio brasileiro, especialmente em estados produtores como Goiás.

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Alex Alves

CEO do Portal Panorama e diretor do PodCast #CaféComEla. Formado em Comunicação Institucional, atua na área de jornalismo e mídia digital, sempre buscando informar com credibilidade e dinamismo.

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