Crise global do cacau dispara preço do chocolate e muda consumo em 2026

Crise global do cacau dispara preço do chocolate e muda consumo em 2026

A Páscoa de 2026 deve pesar mais no bolso do consumidor brasileiro. Isso ocorre porque o preço do chocolate subiu de forma significativa no último ano. Além disso, o aumento acompanha a alta do cacau no mercado internacional.

De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado na última quinta-feira (26), os chocolates ficaram 24,9% mais caros. O período analisado vai de abril do ano passado até março deste ano. Dessa forma, o avanço reflete o aumento dos custos em toda a cadeia produtiva.

O principal motivo é a queda na oferta global de cacau. Em especial, problemas climáticos e doenças atingiram lavouras em países africanos. Entre eles, estão Costa do Marfim e Gana, que lideram a produção mundial.

Além disso, o fenômeno El Niño, registrado em 2024, agravou a situação. Como resultado, houve redução na produtividade nas principais regiões produtoras. Esses países concentram cerca de 60% da produção global.

Choque de oferta pressiona mercado

Segundo o economista Sandro Maskio, professor da Strong Business School, o cenário é de choque de oferta. Ou seja, há menos produto disponível no mercado global. Por isso, os preços sobem e chegam ao consumidor final.

Além disso, o especialista alerta que não se trata de um aumento pontual. Pelo contrário, é um movimento estrutural, com efeitos mais duradouros.

Entre os fatores que explicam a alta, estão os estoques acumulados por exportadores africanos. Isso ocorre porque os preços internos estão acima dos valores internacionais. Ao mesmo tempo, o clima instável e as doenças nas lavouras dificultam a recuperação da produção.

Outro ponto relevante é a situação financeira do setor. Muitos produtores enfrentam dificuldades, enquanto compradores acumulam dívidas com bancos. Assim, o mercado segue pressionado e instável.

Mesmo com previsão de safras mais fortes, o cenário ainda é incerto. Portanto, o mercado continua sensível a qualquer mudança na oferta ou na demanda.

No Brasil, os efeitos já são visíveis. O custo mais alto da matéria-prima elevou o preço do chocolate. Atualmente, o valor pode variar entre R$ 176 e R$ 799 por quilo, dependendo do produto.

Consumidor muda hábitos

Diante desse cenário, o comportamento do consumidor tende a mudar. Segundo Maskio, muitas pessoas devem buscar opções mais acessíveis. Além disso, há tendência de substituir ovos de Páscoa por outros produtos.

Ao mesmo tempo, a indústria também se adapta. De acordo com Marco Lessa, fundador do Chocolat Festival, a estratégia é reduzir o tamanho dos produtos. Assim, as empresas tentam equilibrar custos e preços.

“É uma Páscoa mais cara, com ovos menores e mudanças no consumo”, afirma. Segundo ele, produtos maiores devem perder espaço. Por exemplo, ovos de 1 kg podem ser substituídos por versões de 500g ou 300g.

Apesar disso, uma eventual queda recente nos preços internacionais não deve ajudar neste ano. Isso acontece porque a produção foi planejada com antecedência. Além disso, os produtos já estão nas prateleiras.

Indústria monitora cenário

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) afirma que o mercado ainda enfrenta déficit global. Atualmente, a falta é estimada em cerca de 700 mil toneladas de cacau.

Nos últimos anos, os preços dispararam. Em 2022, a tonelada custava cerca de US$ 2.500. Durante a crise, no entanto, chegou a US$ 12 mil. Mais recentemente, os valores recuaram, mas ainda permanecem elevados.

Hoje, a cotação varia entre US$ 5.000 e US$ 5.500. Isso equivale a cerca de R$ 25,9 mil a R$ 28,5 mil. Mesmo assim, o nível ainda preocupa o setor.

A entidade informa que acompanha o mercado diariamente. Além disso, utiliza estoques reguladores para reduzir impactos. Ainda assim, os preços finais dependem da estratégia de cada empresa.

Por outro lado, a expectativa para a Páscoa é positiva. Isso ocorre devido à estabilidade econômica e ao baixo desemprego. Esses fatores podem sustentar o consumo.

Além disso, a produção nacional cresceu. Em 2024, foram 806 mil toneladas. Já em 2025, o volume chegou a 814 mil toneladas. Ao mesmo tempo, as contratações temporárias aumentaram cerca de 50%.

Apesar desse cenário, o consumidor deve encontrar preços mais altos. Portanto, a Páscoa de 2026 tende a ser marcada por escolhas mais econômicas e produtos menores.

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Gessica Vieira

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