Preços da soja caem no Brasil e atingem menor nível para abril em cinco anos

Preços da soja caem no Brasil e atingem menor nível para abril em cinco anos
Cotação da soja no mercado brasileiro recua em abril com pressão de safra recorde e estoques globais elevados.

Os preços da soja no mercado brasileiro registraram em abril o menor nível dos últimos cinco anos para este período, em um cenário marcado por ampla oferta global, demanda mais cautelosa e pressão cambial sobre as cotações internas.

No primeiro dia útil do mês, a saca em Paranaguá era negociada a R$ 130,50, conforme levantamento da Scot Consultoria. Em 22 de abril, o valor recuou para R$ 127,50, representando queda de 2,3% no período. Na comparação com o mesmo intervalo de 2025, quando a cotação estava em R$ 137, a desvalorização chega a 6,9%.

Safra recorde amplia disponibilidade no mercado

Segundo a análise da Scot Consultoria, abril costuma concentrar os menores preços do ano em razão do avanço da colheita. Em 2026, no entanto, a intensidade da retração chama atenção pela combinação entre sazonalidade e excesso de oferta no Brasil e no mercado internacional.

No país, a produção de soja caminha para um novo recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento revisou em abril a estimativa para 179,2 milhões de toneladas, superando o volume da safra anterior e ampliando a disponibilidade interna em um momento em que a demanda não cresce na mesma proporção.

No cenário global, os estoques também seguem elevados. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam estoques finais de 124,8 milhões de toneladas, o maior nível das últimas safras. Além disso, nos Estados Unidos, a relação de preços mais favorável à soja tem incentivado produtores a migrarem área do milho para a oleaginosa, reforçando a perspectiva de oferta elevada nos próximos ciclos.

China reduz participação e câmbio pressiona preços

Do lado da demanda, a China, principal compradora da soja brasileira, reduziu sua participação nas exportações nacionais. Em março de 2025, o país respondeu por 75,9% dos embarques. Já em março de 2026, esse percentual caiu para 68,7%.

De acordo com Gilberto Leal, Head de Commodities da Granel Corretora, a China continua como principal destino, mas passou a comprar de forma mais distribuída e com maior poder de barganha, o que reduz os prêmios de exportação e pressiona diretamente os preços no Brasil.

Outro fator de influência é a valorização do real frente ao dólar nas últimas semanas. Como a soja é uma commodity cotada em moeda americana, a queda do dólar tende a reduzir os preços internos. Ao mesmo tempo, as cotações na Bolsa de Chicago seguem acima do registrado no ano passado, mas sem força suficiente para neutralizar os demais fatores de pressão.

Mercado deve ter suporte limitado na entressafra

Na avaliação de analistas, o mercado entra agora em fase de transição. Com o fim da colheita se aproximando, a tendência sazonal é de redução da oferta disponível no curto prazo, o que pode oferecer algum suporte às cotações.

Apesar disso, a expectativa é de recuperação limitada, já que o balanço global segue confortável. Mesmo com o aumento da concorrência internacional, a soja brasileira ainda mantém competitividade no comércio externo, segundo avaliação de especialistas do setor.

Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7

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Redação Portal PaNoRaMa

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