Shows com dinheiro público: especialista aponta falhas no modelo e alerta para impacto político em 2026
Durante participação no programa PN7 em Pauta, o empresário do setor de eventos César Santos analisou a relação entre cultura, economia e gestão pública no Brasil, com foco especial no uso de emendas parlamentares para financiamento de shows e eventos.
Segundo ele, o modelo atual, apesar de legal, apresenta distorções e precisa ser repensado. Para o empresário, a dependência do setor cultural em relação ao poder público ainda é elevada, o que se torna ainda mais sensível em anos eleitorais, como 2026.
“É um tema complexo. A emenda parlamentar para eventos é regulamentada, mas precisamos encontrar novos mecanismos, inclusive com participação da iniciativa privada”, afirmou.
Ao avaliar o impacto político desse tipo de financiamento, César destacou que, embora não haja influência direta, os efeitos indiretos são evidentes. De acordo com ele, eventos financiados com recursos públicos podem gerar visibilidade e simpatia para agentes políticos, o que acaba refletindo no ambiente eleitoral.
“Não influencia diretamente, mas indiretamente sim. Quando você leva entretenimento para a população, isso gera identificação com quem viabilizou aquele evento”, explicou.
O empresário também chamou atenção para possíveis pressões no setor, especialmente em períodos eleitorais. Embora tenha afirmado que sua atuação não sofre esse tipo de interferência direta, ele acredita que a prática ainda existe em parte do mercado.
Outro ponto crítico levantado durante a entrevista foi a forma como os recursos são destinados. Para César, o problema não está apenas na origem da verba, mas principalmente na falta de critérios mais rigorosos na aplicação.
“Às vezes o recurso é direcionado de forma aleatória. Precisamos de um modelo mais estruturado, semelhante ao de leis de incentivo, com avaliação técnica e critérios claros”, defendeu.
Ele ainda destacou que o atual sistema de fiscalização apresenta falhas e precisa de ajustes para garantir maior transparência e eficiência no uso do dinheiro público.
Além disso, o empresário fez uma crítica direta à priorização de recursos para eventos em detrimento de áreas essenciais. Segundo ele, é necessário equilíbrio na gestão pública.
“Não faz sentido destinar milhões para um show de poucas horas enquanto existem demandas básicas não atendidas, como saneamento e creches”, afirmou.
Apesar das críticas, César reconhece que o setor cultural ainda depende significativamente de incentivos governamentais. Ele avalia que uma retirada abrupta desses recursos poderia comprometer a realização de eventos e atividades culturais no país.
Por isso, defende a criação de novos modelos de financiamento, com maior participação da iniciativa privada e planejamento antecipado, especialmente em anos eleitorais, quando há restrições legais mais rígidas.
“O caminho passa por planejamento. Sabemos que existem limitações em ano eleitoral, então é preciso organizar projetos com antecedência e buscar alternativas”, destacou.
O empresário também ressaltou o impacto econômico dos eventos, que vai além dos artistas e produtores, alcançando trabalhadores informais e pequenos comerciantes.
“Um evento movimenta toda uma cadeia, desde o vendedor ambulante até quem fornece estrutura. Quando ele não acontece, muita gente é impactada”, explicou.
Por fim, César defendeu a valorização de artistas locais e eventos de menor porte como alternativa mais eficiente e acessível para os municípios.
“Em vez de concentrar recursos em grandes shows, é possível distribuir em eventos menores, valorizando talentos regionais e alcançando mais pessoas”, concluiu.
A entrevista integrou a programação do PN7 em Pauta, que abordou os impactos da política no setor cultural e econômico, especialmente em um ano marcado por eleições e maior fiscalização sobre o uso de recursos públicos.
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