Eleitores abaixo de 18 anos já são 69% a mais que em 2020 em Goiás

Eleitores abaixo de 18 anos já são 69% a mais que em 2020 em Goiás
Júlia Rebeca Souza, que faz 16 anos em agosto, e já garantiu seu título: “Eu queria me sentir mais cidadã” (Foto: Wesley Costa / O Popular)

A dois dias do fim do prazo para tirar o título de eleitor a tempo de votar nas eleições deste ano, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) já conta com mais inscrições de jovens de 16 e 17 anos do que em 2020. A diferença é de 68,8%. Na eleição municipal, em Goiás, 32.841 pessoas nessa faixa etária fizeram o registro, enquanto que em 2022 o número já chega a 55.448.

O número de eleitores com menos de 18 anos, até nesta segunda-feira (2), também é maior que a quantidade registrada em 2018, quando 44.061 jovens nessa faixa etária foram às urnas.

Para especialistas, mesmo com o resultado positivo, o número ainda é preocupante. O portal já mostrou, por exemplo, que, há dez anos, em 2012, havia 87.311 eleitores com 16 e 17 anos em Goiás, uma quantidade que não deve ser recuperada em 2022.

Para o especialista em Ciência Política, professor Pedro Célio, que dá aula na Universidade Federal de Goiás (UFG), ainda há um afastamento dos jovens com assuntos da política. “O ambiente político mais tem afastado as pessoas jovens do que aproximado”, avalia.

O professor lembra que o Brasil vive um cenário político marcado por uma polarização. “Que é condicionada por discursos que afastam as pessoas, discursos de hostilidade, de raiva, de animosidade, que convidam mais ao conflito do que à integração com a vida comunitária”, explica.

Célio também pontua que há um discurso hegemônico, hoje, antipolítico. “O principal porta-voz desse tipo de discurso contrário à política acabou vencendo as últimas eleições para presidente”, destaca.

O ano de 2022 já apontava para um cenário de desinteresse por parte dos jovens, que têm voto facultativo, em exercer o direito. Nesse sentido, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fez campanhas para incentivar as pessoas com 16 e 17 anos a fazerem seu título de eleitor. Somado a isso, houve uma movimentação nas redes sociais puxada, também, por pessoas famosas.

Para Célio, essas campanhas demonstram que os dirigentes estão sensíveis a esse problema. “Revela que esse esvaziamento do engajamento político é motivo de preocupação. Mas a efetividade eu tenho comigo que está muito baixa, já tivemos períodos em que o alistamento eleitoral era muito mais animado”, avalia.

Também professor da UFG, o cientista político Robert Bonifácio diz que esse aumento, à primeira vista, é um dado positivo até pode revelar um efeito das campanhas realizadas, mas que ainda não dá para ser otimista.

Ele lembra que a característica do jovem desta geração é agir politicamente por meio de ações diretas, como manifestações, boicotes e outros, e menos por meio do voto. “Na América Latina, em um artigo que eu fiz, os jovens eram os que menos apoiavam a democracia. É um público mais radical”, diz.

Robert também afirma que é difícil analisar esses números sem saber qual o impacto em relação à quantidade de jovens goianos aptos a votar, que é um dado desatualizado e, por isso, impreciso, nos censos demográficos. Mas avalia que, sim, as campanhas podem ter sido influenciadoras desse aumento.

Interesse

Moradora do município de Trindade, a estudante Raíssa Cordeiro, que faz 17 anos no dia 21 de maio, disse que decidiu fazer o título neste ano, interessada na eleição presidencial. “Acho que foi muito para tentar melhorar o rumo da presidência e tentar fazer, por meio de um voto, o país ficar um pouco melhor”, conta.

Ela afirma que a vontade mesmo surgiu em 2022 e que algumas campanhas de incentivo ao voto jovem contribuíram para sua decisão de tirar o documento. Raíssa lembra de uma publicação feita pela atriz Paolla Oliveira, que a interessou.

A goiana Júlia Rebeca Souza tem só 15 anos, mas como faz 16 no dia 19 de agosto, antes da eleição marcada para outubro, já garantiu seu título para poder votar neste ano. “Eu queria me sentir mais cidadã”, explica. A estudante conta que sempre quis votar por incentivo da família. “Minha mãe sempre mexeu com política, então eu sempre estive no meio”, diz ela, que é filha de assistente social.

Artur Barbosa, que fez 16 anos no dia 28 de janeiro, foi um dos alunos que mais pediram por uma palestra sobre o título de eleitor no Colégio Simbios, em Goiânia. Em abril, a escola acabou levando o juiz eleitoral e presidente da 40ª zona eleitoral de Goiás, Marcelo de Jesus, para isso e foi o suficiente para o estudante fazer seu título.

“Eu vejo que o país pode passar por uma crise e eu acho que com o voto eu posso ajudar a evitar”, explica. Para ele, a palestra foi importante para entender como funciona o voto e o que significam alguns termos como “eleição majoritária”.

Fonte: O Popular
Foto: Wesley Costa / O Popular
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Redação Portal PaNoRaMa

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