A forte queda do dólar voltou a colocar o câmbio no centro das atenções do agronegócio brasileiro. A moeda norte-americana encerrou a segunda-feira (5) cotada a R$ 5,0022, com recuo de 4,12%, na maior queda diária em mais de oito anos.
Para o produtor rural, no entanto, os efeitos dessa mudança podem ocorrer em momentos diferentes. Enquanto o real mais valorizado pode pressionar os preços das commodities, o possível alívio nos custos de insumos dolarizados tende a demorar para chegar.
Esse cenário pode criar um descasamento entre as despesas já realizadas pelo produtor e a receita que será obtida com a venda da safra.
Segundo Bruno Capuzzi, pesquisador do Insper Agro Global, uma parcela importante dos custos da agricultura brasileira sofre influência do dólar, principalmente pela dependência das importações de fertilizantes.
Ao mesmo tempo, parte significativa da produção agrícola destinada à exportação também tem seus preços influenciados pela moeda norte-americana.
Na prática, o produtor pode enfrentar um cenário em que os insumos foram comprados com um câmbio mais elevado, enquanto a comercialização da produção ocorre posteriormente com o dólar em um nível mais baixo.






