Jataí pode se tornar a primeira cidade inteligente de Goiás, afirma professor Simério Carlos durante entrevista
Durante entrevista ao programa PN7 em Pauta, o professor Simério Carlos Silva Cruz, docente da Universidade Federal de Jataí (UFJ) e presidente da Câmara Técnica de Atração de Investimentos do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Jataí (CODEJA), explicou como o município pode se tornar a primeira cidade de Goiás a conquistar certificação internacional de Cidade Inteligente.
A conversa abordou os desafios do planejamento urbano, a importância da gestão pública baseada em dados e como essa certificação pode ajudar Jataí a atrair investimentos e melhorar a qualidade de vida da população.
Segundo o professor, ainda existe muita confusão sobre o que realmente define uma cidade inteligente. Muitas pessoas associam o conceito apenas ao uso de tecnologia, especialmente ao videomonitoramento para segurança pública.
“Uma pesquisa recente mostrou que mais de 90% das pessoas acreditam que cidade inteligente é apenas ter câmeras de monitoramento. Essa é uma visão muito limitada do conceito”, explicou.
De acordo com Simério, uma cidade inteligente envolve planejamento estratégico, organização de dados públicos e políticas voltadas para melhorar os serviços oferecidos à população.
Carta Brasileira de Cidades Inteligentes
Para orientar os municípios brasileiros, o Governo Federal elaborou a Carta Brasileira de Cidades Inteligentes, documento construído com a participação de cerca de 100 especialistas de instituições públicas e privadas.
O material estabelece princípios, metas e diretrizes que devem ser seguidos pelas cidades que desejam adotar esse modelo de desenvolvimento urbano.
“O documento define quais são os caminhos que os municípios devem seguir para realmente se tornarem cidades inteligentes, com planejamento e ações estruturadas”, destacou o professor.
Certificação internacional exige planejamento e organização de dados
Durante a entrevista, Simério explicou que a certificação de Cidade Inteligente segue normas internacionais da ISO, utilizadas mundialmente para padronizar processos e garantir qualidade.
O processo ocorre em três etapas principais.
A primeira delas é a ISO 37120, que exige que o município faça um levantamento completo de dados sobre diversas áreas da gestão pública, como saúde, educação, segurança, mobilidade e infraestrutura.
Esse diagnóstico funciona como um verdadeiro raio-x da cidade, permitindo identificar com precisão os principais problemas e necessidades do município.
Na segunda etapa, chamada ISO 37122, passam a ser implantadas tecnologias e soluções para resolver os problemas identificados no levantamento inicial.
Já a terceira fase, a ISO 37123, avalia a capacidade de resiliência do município, ou seja, sua preparação para enfrentar crises econômicas, desastres ambientais ou outras situações de emergência.
Jataí busca certificação com apoio de parque tecnológico
De acordo com o professor, Jataí já iniciou um passo importante para alcançar esse objetivo. O município firmou parceria com o Parque Tecnológico de São José dos Campos, referência nacional em inovação e desenvolvimento urbano.
A instituição paulista foi responsável por implantar o modelo que tornou São José dos Campos uma das primeiras cidades brasileiras a conquistar certificação internacional de cidade inteligente.
Segundo Simério, a parceria deve ajudar Jataí a estruturar a metodologia necessária para organizar dados da administração pública e avançar no processo de certificação.
“O primeiro passo é organizar todas as informações do município. Parece algo simples, mas a maioria das cidades não possui esse diagnóstico completo”, afirmou.
O levantamento inicial deve levar cerca de um ano para ser concluído. Após essa etapa, o município poderá solicitar a avaliação da entidade certificadora responsável pela análise dos critérios.
Certificação pode atrair novos investimentos
Durante a entrevista, o professor também destacou que a certificação internacional pode se tornar um diferencial importante para atrair novos investimentos para Jataí.
Segundo ele, grandes empresas e investidores não buscam apenas incentivos fiscais para instalar novos empreendimentos.
“Hoje os investidores querem saber se a cidade é organizada, se existe planejamento e se há qualidade de vida para os profissionais que vão trabalhar ali com suas famílias”, explicou.
Nesse contexto, o selo de cidade inteligente funciona como um indicativo de que o município possui planejamento estratégico e estrutura adequada para receber novos negócios.
Agronegócio tecnológico pode impulsionar desenvolvimento urbano
Outro ponto abordado durante a entrevista foi o papel do agronegócio regional nesse processo.
Segundo Simério, o setor já utiliza tecnologias avançadas e estratégias inteligentes para aumentar produtividade e superar desafios.
“O agro da nossa região já é altamente tecnológico. Ele mostra que é possível usar estratégias inteligentes para resolver problemas e melhorar resultados”, destacou.
Para o professor, esse modelo pode servir de referência para outras áreas da gestão municipal, principalmente no planejamento e na tomada de decisões baseadas em dados.
Ao final da entrevista, Simério reforçou que transformar Jataí em uma cidade inteligente depende de planejamento de longo prazo e da participação conjunta de diferentes setores da sociedade.
“Esse é um trabalho que envolve poder público, universidades, empresas e a sociedade civil. O objetivo final é melhorar a qualidade de vida da população e preparar a cidade para o futuro”, concluiu.
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