EMPRESÁRIO: QUANDO LIDERAR VIROU CRIME — E ENTREGAR RESULTADO, OFENS
Há algo mais profundo acontecendo no mundo do trabalho. Tratar isso como simples “conflito geracional” é uma forma confortável — e perigosa — de negar a realidade.
Não é apenas que pontualidade virou opressão.
É que o conceito de dever foi dissolvido.
Não é apenas que feedback virou ofensa.
É que qualquer frustração passou a ser tratada como violência.
Criou-se uma inversão moral silenciosa:
exigir virou suspeito;
entregar virou opcional;
reclamar virou virtude.
O problema não está na busca por ambientes saudáveis. Isso é legítimo.
O problema é confundir saúde com ausência de cobrança e respeito com ausência de hierarquia.
Empresa não é espaço terapêutico.
É espaço de produção organizada de valor.
Quando a empresa abdica de exigir, ela não se torna humana.
Ela se torna frágil.
E empresa frágil não protege ninguém:
nem o empresário,
nem o gestor,
nem o próprio trabalhador.
O que está em jogo não é “ser duro” ou “ser sensível”.
É ser responsável.
Responsável por metas claras.
Responsável por papéis bem definidos.
Responsável por consequências proporcionais.
O discurso da sensibilidade, quando mal utilizado, vira álibi para a mediocridade.
E mediocridade organizada corrói a cultura, desestrutura equipes e empurra conflitos para o Judiciário.
Gestão frouxa gera insegurança.
Insegurança gera ressentimento.
Ressentimento gera litígio.
O gestor que tem medo de liderar não evita o conflito.
Ele apenas o adia — e o torna mais caro.
Mais caro financeiramente.
Mais caro juridicamente.
Mais caro emocionalmente.
Exigir entrega não é abuso.
Abuso é abandonar o critério.
Abuso é premiar o mínimo.
Abuso é chamar de “ambiente tóxico” aquilo que, na prática, é falta de preparo para o mundo real do trabalho.
Empresas maduras não pedem desculpa por existir.
Elas estruturam expectativas, documentam processos, treinam líderes e sustentam a autoridade com racionalidade — não com gritos, mas com regras.
No fim, liderança não traumatiza.
O que traumatiza é a confusão.
E confusão, no mundo empresarial, sempre cobra a conta.
Se você é empresário, a pergunta não é se vale a pena cobrar.
A pergunta real é: quanto custa não cobrar — e quem vai pagar essa fatura depois?
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