Tragédia de Itumbiara: fake news ampliam dor e confundem população após crime
A tragédia registrada em Itumbiara no dia 12 de fevereiro, quando Thales Machado tirou a vida dos próprios filhos, de 8 e 12 anos, gerou comoção em todo o Estado. Além da dor provocada pelo crime, a população também enfrentou uma enxurrada de notícias falsas que circularam nas redes sociais desde as primeiras horas do caso.
Perfis oportunistas exploraram o interesse público para ganhar engajamento. Como resultado, divulgaram informações sem confirmação e, em alguns casos, completamente inventadas. Diante disso, a própria Polícia Civil decidiu agir. Na segunda-feira (23), a corporação publicou nota oficial para desmentir um dos boatos mais recentes.
A informação falsa da semana surgiu em um canal de televisão com o título “tragédia ganha novos desdobramentos”. No entanto, a emissora não confirmou o conteúdo com a equipe responsável pela investigação. Em um print de grupo de WhatsApp ao qual o portal Mais Goiás teve acesso, um delegado criticou a divulgação precipitada. “Uma rede dessa… sem confirmar NADA com quem está investigando… divulgar isso? Eles nos citam ainda. A troco de que?”, questionou.
Em seguida, o Mais Goiás reuniu as principais fake news que circularam desde o dia do crime.
O boato sobre infarto do prefeito
Logo nas primeiras horas da manhã de 12 de fevereiro, começou a circular a informação de que o prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, teria sofrido um infarto ao saber que o genro havia matado os dois netos.
Entretanto, a informação não era verdadeira. Poucas horas depois, Dione compareceu ao velório de Miguel, uma das vítimas. Além disso, ele recebeu apoio de familiares, amigos, do governador Ronaldo Caiado e do vice-governador Daniel Vilela.
A falsa carta atribuída a Sarah
Dias após o sepultamento de Benício, o filho mais novo, usuários das redes sociais passaram a compartilhar uma suposta carta assinada por Sarah Araújo. No texto, ela faria reflexões sobre a tragédia.
Contudo, a carta não era autêntica. Alguém criou o conteúdo e o divulgou como se fosse verdadeiro. Assim, o nome da mãe voltou a circular em meio a informações distorcidas.
Informação equivocada sobre a morte de Benício
Pouco antes das 11h do dia da tragédia, familiares e amigos espalharam que Benício já estava morto. Naquele momento, porém, os médicos ainda seguiam o protocolo de morte cerebral.
Esse procedimento pode levar até 72 horas para confirmar de forma definitiva a irreversibilidade do quadro. Portanto, embora o menino estivesse em estado gravíssimo, o óbito só ocorreu mais tarde.
Suposta mudança na investigação
Mais recentemente, perfis divulgaram que “novos desdobramentos” teriam levado a Polícia Civil a tratar o caso como possível homicídio, indicando mudança na linha investigativa.
No entanto, a corporação negou a informação de forma categórica. Segundo a polícia, não houve alteração no rumo das apurações.
Narrativas sobre separação do casal
Por fim, moradores passaram a discutir nas redes o status do relacionamento de Sarah e Thales no dia da tragédia. Enquanto alguns afirmavam que o casal já vivia separado, outros garantiam que eles continuavam juntos.
Independentemente da situação real, pelo menos uma das versões divulgadas não correspondia aos fatos. Assim, criou-se uma disputa de narrativas que aumentou ainda mais a confusão em torno do caso.
Dessa forma, além do impacto emocional provocado pelo crime, a circulação de informações falsas agravou o sofrimento dos familiares e dificultou a compreensão pública dos acontecimentos. Por isso, autoridades reforçam a importância de buscar informações em canais oficiais antes de compartilhar qualquer conteúdo.
Por Gessica Vieira
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7
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