Fim da escala 6×1: o que pode mudar no comércio — e quem paga a conta

Fim da escala 6×1: o que pode mudar no comércio — e quem paga a conta

A escala 6×1 — seis dias de trabalho e um de descanso — não é ilegal. Ela é compatível com o modelo constitucional atual, que limita a jornada a 44h semanais e garante repouso semanal remunerado.

O debate de 2026 é outro: propostas no Congresso discutem reduzir a jornada máxima (40h ou até 36h) e ampliar o descanso semanal, mantendo salário. Isso altera o equilíbrio da operação.

Em cidade do interior como Jataí, o impacto tende a ser mais sensível.

Aqui, a maioria das empresas é micro ou pequena. Equipes enxutas cobrem horários longos, especialmente sábado e domingo. Se a jornada semanal cair mantendo salário, o custo por hora sobe. Para manter a mesma cobertura, o empresário terá quatro caminhos:

contratar mais;
reduzir horário de funcionamento;
reorganizar turnos;
ganhar produtividade com tecnologia.

Num cenário mais intenso (ex.: 44h para 36h), a redução é superior a 18% das horas semanais. Manter a mesma operação exigiria aumento relevante de horas disponíveis na escala.

Por outro lado, há possíveis efeitos positivos:
mais descanso pode reduzir absenteísmo;
menor desgaste pode diminuir rotatividade;
equipes mais estáveis atendem melhor.

O risco está na transição mal planejada. Comércio que improvisa tende a:

aumentar custo sem ajuste de preço;
perder horário competitivo;
gerar passivo por escala irregular;
recorrer à informalidade.

Além disso, 2026 já traz outro fator relevante: maior exigência de negociação coletiva para trabalho em feriados no comércio. Ou seja, o ambiente regulatório está mais sensível à jornada e descanso.

Para o empresário de Jataí, a pergunta não é ideológica. É estratégica:

Se a jornada mudar, sua empresa sabe exatamente quantas horas precisa por dia?
Sabe onde estão os horários realmente lucrativos?
Tem banco de horas formalizado?
Tem escala desenhada por demanda real e não por tradição?

Quem planeja consegue absorver mudança.
Quem reage depois transforma ajuste legal em crise operacional.

O debate ainda não virou lei. Mas o comércio que já começa a mapear demanda, rever turnos e estruturar negociação coletiva estará um passo à frente — independentemente do texto final aprovado.

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Gessica Vieira

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