Fim da escala 6×1: advogado explica impactos para trabalhadores e empresas
O fim da escala de trabalho 6×1 está no centro das discussões sobre os direitos trabalhistas no Brasil. A possibilidade de mudanças na jornada semanal e nos períodos de descanso levanta dúvidas entre trabalhadores e empregadores sobre salários, horas extras, funcionamento do comércio e organização das empresas.
Para esclarecer essas questões, o PN7 em Pauta recebeu o advogado trabalhista Weslley Borges, que explicou os principais pontos do debate e os possíveis desafios para diferentes setores da economia, incluindo o agronegócio e os pequenos negócios.
O que é a escala 6×1?
Durante a entrevista, Weslley explicou como funciona esse modelo de jornada de trabalho.
A jornada 6×1 […] é aquela que o trabalhador pode trabalhar seis dias por semana e tem ali o direito de um dia de descanso.
Ele também destacou que a jornada atualmente prevista na legislação tem limite de 44 horas semanais e explicou que a proposta discutida prevê mudanças na quantidade de dias trabalhados e de descanso.
“O que era seis dias trabalhados e um dia de descanso passará a ser cinco dias de trabalho e dois de descanso”, declarou.
O salário pode diminuir?
Uma das principais dúvidas dos trabalhadores é se uma eventual redução da jornada poderá resultar em diminuição salarial. Questionado sobre o assunto, Weslley afirmou:
“Salário não diminui. A nova PEC veio só para transformar horários e escalas. O salário vai continuar o mesmo.”
O advogado também explicou que uma mudança no divisor utilizado para calcular o valor da hora de trabalho pode influenciar o cálculo das horas extras. Durante a entrevista, ele apresentou um exemplo para demonstrar como esse cálculo poderia funcionar, caso a referência utilizada fosse alterada.
Os efeitos concretos sobre a remuneração, porém, dependem do texto legal aplicável e das regras que efetivamente entrarem em vigor.
Comércio poderá continuar funcionando aos domingos?
Outra dúvida abordada na entrevista diz respeito aos estabelecimentos que precisam funcionar durante toda a semana, como supermercados, farmácias e restaurantes.
Weslley ressaltou que uma mudança na escala não significa, necessariamente, o fechamento desses estabelecimentos aos sábados e domingos.
“Isso não é verdade. Empresas, comércios essenciais, aqueles que precisam abrir sábado e domingo, eles vão continuar abrindo sábado e domingo”, explicou.
Segundo o advogado, a organização das escalas será um dos desafios para os empregadores, que precisarão considerar os períodos de descanso e as regras aplicáveis a cada atividade.
Horas extras e banco de horas exigem atenção
A entrevista também abordou os limites para a realização de horas extras e a utilização do banco de horas. Para Weslley, o cumprimento das regras é importante tanto para a proteção do trabalhador quanto para evitar problemas para as empresas.
“O empregado não pode fazer horas extras irrestritas”, afirmou.
O advogado explicou ainda que a organização da jornada precisa respeitar os limites legais e que a compensação de horas deve observar as condições aplicáveis, incluindo acordos e convenções coletivas quando exigidos.
Pequenos produtores e empresas podem enfrentar desafios
Ao comentar os possíveis impactos da mudança em Jataí e região, Weslley apontou que negócios com equipes reduzidas podem ter dificuldades para reorganizar as escalas.
“Eu entendo que o agro vai sofrer grandes alterações, principalmente o pequeno produtor, aqueles que estão em crescimento, por conta do […] pequeno quadro de funcionário”, disse.
O advogado também mencionou pequenas empresas em desenvolvimento e estabelecimentos que funcionam continuamente, como farmácias e supermercados.
Na avaliação dele, esses setores precisarão analisar como manter suas atividades e, ao mesmo tempo, organizar as jornadas dos funcionários. Weslley ponderou, contudo, que mudanças também podem abrir oportunidades para novos formatos de organização e prestação de serviços.
A importância da orientação jurídica
Ao final da entrevista, o advogado destacou a importância de empresas acompanharem as mudanças e buscarem orientação especializada para compreender as regras aplicáveis.
“A empresa vai ter custos muito grandes se continuar da forma que está. Então, ela precisa entender a situação, precisa de uma assessoria jurídica qualificada, especializada na área”, afirmou.
Para Weslley, a adaptação exige atenção à legislação, à organização interna e às particularidades de cada atividade econômica.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 envolve questões que afetam diretamente a rotina de trabalhadores e empregadores. Por isso, acompanhar as decisões oficiais e compreender como as regras serão aplicadas a cada categoria será fundamental.
Assista à entrevista completa no PN7 em Pauta, com o advogado trabalhista Weslley Borges, no Portal Panorama.
Nota editorial: os prazos, a aprovação e o conteúdo definitivo das mudanças mencionadas na entrevista devem ser conferidos em fontes oficiais antes da publicação como fatos já estabelecidos. As declarações acima refletem a entrevista concedida ao programa.



