Reitor da UFJ, Christiano Peres, expõe desafios da gestão e aponta caminhos para fortalecer a universidade em Jataí

Reitor da UFJ, Christiano Peres, expõe desafios da gestão e aponta caminhos para fortalecer a universidade em Jataí

Uma entrevista exibida no programa PN7 em Pauta trouxe à tona os principais desafios enfrentados pela Universidade Federal de Jataí (UFJ). O convidado foi o reitor Christiano Peres Coelho, que apresentou um panorama detalhado sobre a gestão da instituição, destacando desde questões estruturais até dificuldades financeiras e estratégias para o futuro.

Durante a conversa, o reitor deixou claro que administrar a universidade vai muito além do ensino. Segundo ele, a UFJ funciona como uma verdadeira “cidade”, exigindo gestão de áreas como alimentação, transporte, manutenção, assistência estudantil e estrutura administrativa.


Consolidação da universidade e falta de servidores

Christiano Peres Coelho explicou que a UFJ ainda está em processo de consolidação, mesmo após quase oito anos de sua criação.

Ele relembrou que, por cerca de 40 anos, a instituição funcionou como campus da Universidade Federal de Goiás (UFG), com grande parte da gestão concentrada em Goiânia. Com a autonomia, surgiu a necessidade de estruturar toda a administração local.

Um dos principais desafios, segundo o reitor, é a falta de técnicos administrativos, o que obriga a universidade a recorrer à terceirização, elevando custos e aumentando a complexidade da gestão.


Orçamento instável e necessidade de articulação política

Outro ponto central da entrevista foi o financiamento da educação superior no Brasil. De acordo com Christiano Peres Coelho, o modelo atual é instável e exige constante articulação política, principalmente em Brasília.

Ele destacou que houve redução significativa de recursos ao longo dos anos, mesmo com a criação de novas universidades federais, o que obriga a gestão a fazer “malabarismos” para manter a estrutura funcionando.

Apesar disso, a UFJ alcançou um avanço importante: iniciou 2026 sem dívidas acumuladas, resultado de planejamento interno e diálogo com o Ministério da Educação (MEC).


Evasão de alunos e mudanças no ingresso

Durante a entrevista, o reitor também chamou atenção para um problema recorrente: a evasão de estudantes aprovados pelo Sistema de Seleção Unificada (SISU).

Segundo Christiano Peres Coelho, muitos candidatos aprovados não efetivam matrícula, principalmente por serem de outras regiões do país, o que gera ociosidade de vagas.

Como solução, a universidade estuda combinar o SISU com vestibular próprio, além de criar mecanismos que valorizem estudantes da região.


Cursos com baixa procura e risco de falta de professores

O reitor também abordou a baixa procura por cursos de licenciatura, como Física, Química, História e Geografia.

Ele destacou que essas formações são fundamentais para a educação básica e alertou para um possível “apagão de professores” no país.

Como resposta, a UFJ tem discutido reformulações, com atualização curricular e integração com áreas mais atrativas, como tecnologia.


Problemas com terceirização e obras

Nos bastidores da gestão, Christiano Peres Coelho revelou dificuldades com empresas terceirizadas, incluindo casos de descumprimento de contratos e atraso no pagamento de trabalhadores.

Além disso, obras importantes enfrentam paralisações devido ao abandono por empresas ou disputas judiciais, o que impacta diretamente o planejamento da universidade.


Desafios de manter universidade no interior

O reitor destacou ainda que manter uma universidade no interior é mais desafiador do que em grandes centros.

Segundo ele, há dificuldades na contratação de empresas e na execução de obras, já que muitas não conseguem cumprir contratos fora das capitais.


Incentivo à permanência dos estudantes

Para reduzir a evasão e ampliar o acesso, a UFJ tem investido em políticas de permanência.

Entre as ações estão:

  • Ampliação de cursos noturnos

  • Criação da “Cuidoteca” para filhos de estudantes

  • Oferta de bolsas de permanência

  • Melhorias no transporte universitário

De acordo com Christiano Peres Coelho, essas iniciativas são fundamentais para garantir que os alunos consigam concluir a graduação.


Universidade como motor de desenvolvimento

Ao longo da entrevista, o reitor reforçou o papel estratégico da UFJ para o desenvolvimento de Jataí e região.

Ele destacou que a universidade contribui para a formação de profissionais qualificados, produção de conhecimento e fortalecimento da economia local.


Legado e visão de futuro

Ao final, Christiano Peres Coelho afirmou que seu principal objetivo é deixar uma universidade mais estruturada e com melhor ambiente institucional.

Entre os resultados já observados, ele destacou a redução no número de afastamentos de servidores, indicando melhora no clima organizacional.

Além disso, citou projetos de expansão, novos cursos e melhorias de infraestrutura como prioridades para os próximos anos.

Por Gessica Vieira
Foto: Vânia Santana – Portal Pn7
Jornalismo Portal Pn7

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Gessica Vieira

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