Carnaval 2026: golpes com cartão e PIX deixam vítimas no prejuízo e acendem alerta para foliões
Entre uma música e outra em um bloquinho no pré-carnaval do bairro da Bela Vista, em São Paulo (SP), o médico Caio Franco, de 29 anos, não imaginava que a compra de uma bebida marcaria o início de um grande prejuízo financeiro.
Segundo ele, a suspeita é de que um ambulante tenha trocado seu cartão no momento do pagamento. “A minha suspeita é que o meu cartão tenha sido trocado quando fui comprar uma bebida pela metade do preço”, relata.
Como consequência, Caio acumulou prejuízo superior a R$ 16 mil em diferentes compras. As transações ocorreram de forma presencial, com uso de senha, o que dificultou a contestação junto à instituição financeira. Mesmo assim, ele buscou a Justiça. No entanto, após mais de um ano de disputa, perdeu o processo.
Casos como esse se repetem com frequência durante o carnaval. Isso acontece porque a grande circulação de pessoas e o consumo imediato favorecem a ação de criminosos.
Atenção na hora da compra
De acordo com Felipe Paniago, um dos fundadores da plataforma Reclame Aqui, o folião pode evitar muitos prejuízos se adotar medidas simples de prevenção.
“Cuidado com o uso de cartão no meio de blocos, ao passá-lo para pagamentos em maquininhas em lugares inseguros. Além disso, é preciso guardar bem o dinheiro em espécie e ter atenção com o uso do celular. São dicas básicas, mas que evitam prejuízos e incômodos”, afirma.
Segundo ele, neste período aumentam golpes como troca de cartões, uso de maquininhas adulteradas para roubo de dados e alteração do valor digitado antes da confirmação. Além disso, alguns criminosos simulam erro na transação para cobrar duas vezes.
Portanto, o consumidor deve conferir o valor na tela antes de digitar a senha e jamais perder o cartão de vista. Da mesma forma, é importante recusar maquininhas com visor danificado ou comportamento suspeito.
PIX exige cuidados específicos
Além dos golpes com cartão, criminosos também exploram o uso do PIX, especialmente por meio de falsos QR Codes.
Para reduzir riscos, especialistas recomendam ativar senha, biometria ou reconhecimento facial em cada transação. Também orientam configurar limite baixo para PIX por aproximação. Além disso, reforçar o bloqueio de tela e a proteção dos aplicativos bancários ajuda a evitar invasões em caso de furto do celular.
Antes de confirmar qualquer pagamento, o usuário deve conferir o nome do destinatário e o valor da operação. Caso identifique algo diferente, deve cancelar imediatamente a transação.
Riscos virtuais e ingressos falsos
Além dos golpes presenciais, as fraudes virtuais crescem nesta época. Criminosos utilizam redes sociais, sites falsos e mensagens por aplicativos para vender ingressos inexistentes, abadás falsos ou acessos irregulares a camarotes.
Geralmente, as ofertas apresentam preços abaixo do mercado e criam senso de urgência. Por isso, Felipe Paniago recomenda que o consumidor adquira entradas apenas por plataformas oficiais ou canais reconhecidos. Ele também alerta para desconfiança diante de pedidos de pagamento exclusivo via PIX ou transferência sem garantia.
A jornalista Alice Gomes, de 42 anos, enfrentou situação semelhante no ano passado. Ela recebeu pelo Instagram uma oferta de camarote no Sambódromo do Rio de Janeiro e transferiu R$ 3 mil. Depois disso, o perfil desapareceu e bloqueou seu contato.
“Ela mostrou o ingresso digital e pegou meus dados para fazer a transferência”, conta. Apesar da frustração, Alice decidiu voltar à festa neste ano. No entanto, afirma que agora compra apenas em sites oficiais.
Em resumo, o carnaval continua sendo tempo de celebração. No entanto, para que a folia não termine em prejuízo, especialistas reforçam a importância de atenção constante, conferência de valores e uso consciente dos meios de pagamento.
Por Gessica Vieira
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7
Share this content:

