Brasil lidera ranking de raios e perde quase 3 mil bovinos

Brasil lidera ranking de raios e perde quase 3 mil bovinos

O Brasil registra cerca de 77,8 milhões de raios por ano e lidera com folga o ranking mundial de descargas elétricas. Além disso, o fenômeno provoca impactos diretos na segurança da população e na economia do campo. Na última década, raios mataram quase 3 mil bovinos em áreas rurais.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o país concentra, em média, mais de 78 milhões de descargas atmosféricas por ano. Isso equivale a cerca de oito mil raios por minuto. Esse volume elevado ocorre principalmente por causa da posição geográfica do Brasil, localizado na maior faixa tropical do planeta, marcada por calor intenso e alta umidade.

De acordo com o coordenador do Inpe, Osmar Pinto Junior, esse cenário tende a se agravar. As projeções indicam que o número de raios pode chegar a 100 milhões por ano até 2100. Além disso, a região Norte deve concentrar a maior parte das ocorrências.

A força de um raio impressiona. Para comparação, uma descarga atmosférica pode ser até mil vezes mais potente que um chuveiro elétrico. A corrente ultrapassa 30 mil ampères e percorre até cinco quilômetros. Por isso, causa danos graves a pessoas, animais e estruturas.

Quando um raio atinge o corpo humano, a eletricidade percorre tecidos, nervos e vasos sanguíneos. Assim, compromete vários sistemas ao mesmo tempo. Dados do Ministério da Saúde mostram que a chance de sobrevivência em impactos diretos é de apenas 2%. Além disso, correntes elétricas que se propagam pelo solo, chamadas de “tensão de passo”, também oferecem risco.

No campo, o impacto cresce ainda mais. Segundo o Inpe e a Embrapa, os bovinos figuram entre os animais mais vulneráveis às tempestades elétricas. Isso ocorre porque passam longos períodos em áreas abertas, muitas vezes em terrenos elevados e sem proteção.

Outro fator agrava o risco: o comportamento natural do rebanho. Durante chuvas, os animais se agrupam. Em tempestades elétricas, esse hábito pode provocar múltiplas mortes em um único episódio. Além disso, o grande porte dos bovinos amplia a diferença de potencial entre as patas, o que torna a descarga mais letal, sobretudo em pastagens molhadas.

Árvores isoladas também representam perigo. Com frequência, produtores encontram animais mortos próximos a esses locais após tempestades, atingidos direta ou indiretamente por raios.

Por isso, especialistas alertam que o problema vai além da curiosidade científica. Ele envolve prejuízos econômicos, riscos à vida de trabalhadores rurais e danos à infraestrutura. Nas cidades, normas como a ABNT NBR 5410 exigem o uso de Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) em instalações elétricas.

Já no campo, medidas simples reduzem os riscos. Entre elas estão evitar áreas abertas durante tempestades, não concentrar animais sob árvores isoladas e investir em sistemas de proteção. Dessa forma, produtores conseguem reduzir perdas e aumentar a segurança.

Com o aumento projetado das descargas elétricas nas próximas décadas, especialistas reforçam que conviver com os raios exige planejamento, informação e prevenção, tanto no meio urbano quanto no rural.

Por Gessica Vieira
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7

Share this content:

Gessica Vieira

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.